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Terça-feira, 28 outubro, 2014 22:06

Um Brasil que se escondia por debaixo dos panos



 

Aécio: Orlando Britto / Coligação Muda Brasil  Dilma: Antonio Cruz Agência Brasil  - (montagem)




Momentos da campanha eleitoral para presidente em 2014



Essas eleições mostraram a face de um Brasil que se escondia por debaixo dos panos. Se antes era feio expor o nordestino, o gay, o pobre... agora é moda, afinal as pessoas entenderam que votar em um político e não no outro, significaria ter espaço para atacar pessoas e opiniões diferentes, já que dessa vez, foi metade pra cada lado.

E aí começaram as publicações ABSURDAS e SURREAIS de opiniões que são o cúmulo do desrespeito.

Desejar para seus próprios conterrâneos guerras, doenças, dificuldade de acesso à educação, muros, prisões, e morte nada difere VOCÊ da DITADURA que você mesmo tanto teme.
Desenrolar discursos de ódio oprimindo quem depende de programas sociais, expondo riqueza, e xingando aqueles que lutam por estas classes, faz de você alguém financeiramente mais rico, mas infinitamente cultural e espirituosamente mais pobre. Miserável, pode-se dizer.

Não ter o mínimo de decência de se colocar no lugar daquele que precisa mais do que você ou que simplesmente tem tantas oportunidades quanto as suas, mas que prefere pensar de um outro modo, é o mais puro retrato da própria ignorância que você tanto critica. E brigar contra uma escolha política por achar que ela vai de encontro à democracia, quando você está querendo derrubar a escolha da maioria, faz questionar o porquê você quer lutar tanto por um conceito que não tolera: a maioria vence, mesmo que eu ou você discordemos.

Quando você abre a boca para dizer qualquer coisa sobre nordestinos, se esquece das fotos que já postou de suas férias lá, das músicas de lá que já cantarolou, da deliciosa moqueca ou da água de coco geladinha que você adora. Esquece também que a água falta na maior capital do país, e que o esfomeado aqui tem a mesma fome de quem está na seca do sertão. Você esquece que todos os lugares têm qualidades e todos os lugares têm defeitos, e apesar de ter escolhido com quais destes você prefere conviver ao residir na região que lhe convém, você não permite que os demais façam o mesmo. E esquece que na sua carteira de identidade está escrito o mesmo que em todas as outras emitidas no Brasil: BRASILEIRO. Não é nordestino, nortista, sulista... É BRASILEIRO.

E do mesmo modo, a teoria se aplica para negros, quando você resolve dizer que eles são sujos, pobres, ou provindos de uma região específica. Você não entende que ser negro não é ofensa. Que ser negro não é pecado. Quer ser negro não é feio. Nem ser nordestino, por sinal. E fica associando uma substância que a pele produz a uma série de outras características, querendo empurrar goela abaixo que o lugar deste negro, que tem mais melanina que você, não é ao seu lado. Mas por mais que você diga isso, nada vai mudar: negros são pessoas com mais melanina que você. SÓ.

Sendo assim, nem precisamos entrar em outros segmentos, como o dos homossexuais. O que você disser sobre eles não se tornará verdade. A única coisa que você vai conseguir é conviver com mais violência, mais ódio e mais conflito. Esse mesmo conflito e essa mesma violência que você está desejando para OS OUTROS. As pessoas continuarão existindo, e se amando, a seu modo, queira você ou não.

Então, meu caro amigo ofensor, eu te sugiro que agora que as eleições passaram, você comece a exercer o seu papel de cidadão. Aprenda a conviver com as diferenças, em especial as que não te agradam, porque não tem cabimento nenhum exigir de um país o respeito com o seu voto, com a sua visão, com a sua ideologia, quando você não consegue devolver ao mundo um mínimo disso.

Ao invés disso, se olhe no espelho e certifique-se que você faz o correto: não falsifique documentos, não fure fila, respeite o trânsito, não desperdice recursos naturais, não jogue lixo na rua, NÃO OFENDA NEM XINGUE NEM PRATIQUE VIOLÊNCIA (AINDA QUE VERBAL)... E por aí vai.

Tente também entender que não se trata de partido. Que não se trata nem mesmo de você pesquisar e perceber que o país inteiro ficou dividido entre dois candidatos. Que GRAÇAS A DEUS, no país inteiro existem negros, gays, gordos, magros, mulheres, homens, índios, imigrantes e todas as outras belezas de seres humanos que nos tornam ainda mais humanos. Que o que acontece aqui é que você não tem o DIREITO nem LEGAL, nem MORAL, de satirizar, ironizar, maltratar, ofender, ou desejar qualquer tipo de mal para aquele que é diferente. A menos, é claro, que você odeie aquilo que chamamos de DEMOCRACIA.

Se é por isso que você tanto briga, estude. Aprofunde-se. E entenda que não é possível convencer ninguém na raiva ou na maldade. A democracia se conquista com respeito, pois quanto mais respeitado seu oposto se sentir por você, mais abertura ele lhe dará para que caminhem juntos, e transformem esse país em uma nação.

Sei que àqueles os quais o desabafo foi dedicado nem lerão nem absorverão a mensagem. Mas ainda que de um modo contraditório, espero que sirva como uma espécie de desculpa para todos aqueles que estão sofrendo com qualquer tipo de agressão tão livremente compartilhada por aí. Obrigada por estarem tolerando tudo isso com a superioridade que os agressores querem ter para si, mas não querem oferecer para o mundo.
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Dannie Karam tem cinco nomes enormes, mas espalha seus textos com um e meio. Já estudou em dezesseis escolas, morou em quase dez cidades, e já rasgou mais de trezentas poesias. Transita entre oito e oitenta, mas só costuma bater o pé por uma ou duas coisas. Criou com três amigas o Pipoca, Pimenta e Poesia. Vive mergulhada em milhares de folhas amassadas e acha que nasceu pra letras. Odeia esse negócio de números... E aceita assinantes em sua página do facebook

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