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Steve Jobs e o ecoturismo

sexta-feira, 27 março, 2009 17:21

Edgar Werblowsky

Pena que não tivemos um Steve Jobs no ecoturismo.

Fazem falta sua visão inovadora, multilateral, observadora da experiência humana, de análise do todo e da posterior síntese.

Para ele, um ícone da tecnologia, criatividade é simplesmente conectar coisas, como afirmou à revista Wired. "Quando você pergunta a pessoas criativas como fizeram alguma coisa, elas se sentem um pouco culpadas, porque na verdade, não fizeram aquilo; elas só viram algo. A coisa lhes pareceu óbvia porque conseguiram conectar experiências que tiveram e sintetizar coisas novas."

E é essa criatividade que tanto nos faz falta quando deixamos o conceito mais amplo do ecoturismo resvalar para o simples e limitado turismo de aventura.

O fato é que o ecoturismo foi concebido para ser muito mais do que aventura pura e simples. Nasceu de uma visão - da possibilidade de recriação da experiência de conexão com a natureza. Onde esta assumiria o protagonismo e não se contentaria em ser uma coadjuvante. Bela, muito bela, mas ainda assim coadjuvante.

Jobs praticamente não inventou nada. A própria mouse foi inventada por outros. Aliás, foi nos laboratórios da Xerox que ele pela primeira vez viu uma mouse passeando pela tela de um computador.

A diferença foi que ele teve a visão, que os dirigentes da Xerox não conseguiram enxergar, obcecados que estavam por copiadoras. Um problema clássico de visão. Com isso a Xerox perdeu a potencial liderança no mundo dos computadores, o que mudou para sempre a sua história.

Conseguir que um Steve Jobs tivesse abraçado o ecoturismo transformaria para sempre o segmento. Ele teria conseguido enxergar no ecoturismo muito além do que este acabou se tornando: uma coleção de atividades radicais em meio à natureza.

Jobs teria se voltado ao basic, elaborado um simbólico orçamento base zero, e percebido que o que estava em jogo era um novo olhar para a natureza. Não simplesmente a sua utilização como playcenter verde.

Perceberia que a humanidade se encontrava num beco sem saída, ou com poucas saídas, e a natureza, ou melhor, a nova relação do homem com a natureza, seria uma das chaves para escapar desta encruzilhada.

Rapidamente intuiria que a questão real era uma mudança paradigmática de visão em que a natureza deixaria de ser o mero celeiro mundial de matéria prima, a que foi relegada a partir da revolução industrial e das idéias de Descartes no século XVIII, para assumir seu papel de matéria viva, pulsante, e repositório dos segredos e do futuro do planeta.

Steve buscaria criar maneiras criativas, geniais, de reconectar de forma amigável a mente, o corpo, enfim, o ser humano, a este ente verde e vivo, que vibra por debaixo das cobertas planetárias.

Quem sabe inventaria um MouseAmaz.
Ou criaria uma Green Apple, algo como um sistema para fazer da delicada e imanente harmonia da natureza sucesso de crítica e público. Utilizando-se do design de seus bosques e florestas para desenvolver um produto a ser cultuado e idolatrado por legiões. Suas legiões..
Como uma nova religião. Uma nova Apple.

Poderia se valer, na parte estética, dos estudos de Gaudi, que tão sabiamente soube enxergar na bela heterogeneidade da natureza a inspiração para suas monumentais obras de design arquitetônico.

Talvez conseguisse transformar a Amazônia inteira numa sede virtual da Green Apple, no lugar do Vale do Silício. Quiçá fazendo de cada árvore da Amazônia um ídolo a ser cultuado como um Mac.

O ecoturismo deixaria de ser simplesmente um teatro vivo com um palco - a natureza - sediando raftings, canyonings, e outros inúmeros ings, ou enduros e enmoles das mais variadas matizes e objetivos, para fazer desta um fim em si mesma e um ambiente iluminado para se propiciar a reconexão espiritual do homem com a própria natureza e com o planeta.

Talvez a agência de ecoturismo poderia se chamar Steve Jobs & Dalai Lama Spiritual Adventures e proporcionar aventuras do espírito, tão necessárias nesses esvaziados tempos modernos.

Quando a Freeway introduziu o conceito do ecoturismo no Brasil imaginava criar uma legião de cultuadores da natureza, a partir do deslumbramento causado pelo contato íntimo com ela, gerador de uma experiência mística, espiritual, de amor. Vislumbrava recrutar uma geração de defensores apaixonados e intransigentes. Ou seja, ecoturismo a serviço da criação de uma consciência individual e coletiva de preservação. Motivada pela experiência espiritual, transcendental.

Se a Amazônia e sua Green Apple comportassem um Conselho de Administração, na hora indicaria para tomar parte: Steve Jobs, Dalai Lama, Gaudi, Rousseau, Susan Andrews e Thoreau. Como alguns já morreram acho que não deveríamos perder mais um minuto e criá-lo já.

Edgar Werblowsky é fundador e diretor presidente da Freeway Brasil (www.freeway.tur.br).
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