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A Revolução que falta acontecer

sábado, 27 fevereiro, 2010 16:50

Paiva Netto

Há cerca de dez anos, li na Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro, do veterano jornalista Hélio Fernandes, reportagem sobre uma palestra de Henrique Lins de Barros, doutor em física e pesquisador titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, intitulada “Ciência e Ambiente”. O tema é tão apropriado que resolvi apresentar trechos das palavras dele:

“‘Se a sociedade não repensar o atual modelo de Ciência, a Terra vai falir’ – afirmou. ‘O padrão de desenvolvimento de hoje é insustentável e, se não for modificado, veremos o colapso dos recursos nas próximas gerações’, disse. A palestra de Henrique de Barros fechou o Seminário Ciência e Pobreza no Século 21, organizado pela coordenação de pesquisa em pós-graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele fez uma crítica ao que chamou de imaginário da Ciência contemporânea. ‘Antigamente o objetivo principal dos pesquisadores era conhecer a Natureza para auxiliar os mais necessitados; hoje, o compromisso da Ciência é produzir riqueza.’ Henrique Lins de Barros citou como exemplo o descompasso entre o mundo real afetado pela miséria e grandes desigualdades e a pauta dos pesquisadores ‘mais preocupados em povoar Marte com micro-organismos. (...) Uma das crises previsíveis, segundo o pesquisador, é a de escassez de recursos hídricos. ‘Em poucos anos, ainda na nossa vida, vamos enfrentar esse problema’. Henrique Lins de Barros comparou a forma de a sociedade lidar com o futuro hoje com o uso de drogas: ‘Hoje, usamos tudo sem pensar no futuro, já que não há preocupação nem projetos para criar condições de sobrevivência das futuras gerações’”.

ÁTOMOS X BITS
Uma década após os alertas do cientista brasileiro, o programa Espaço Aberto – Ciência & Tecnologia, da Globonews, na apresentação dos jornalistas Luiz Fernando Silva Pinto e Leila Sterenberg, trouxe interessante matéria sobre a conexão intrínseca entre o avanço tecnológico e o porvir. Nela, fica evidente que o parecer abalizado de outrora do dr. Henrique de Barros merece, nos dias atuais, máxima atenção. Na reportagem, Leila Sterenberg destacou que “a única certeza que se tem em relação ao futuro é que é em direção a ele que a gente vai, mas, pelo rumo que a vida no planeta vem tomando, o chamado mundo virtual se impõe cada vez mais. Real e virtual se misturam, um alimenta o outro, eu e você que somos feitos de átomos passamos a existir também em bits”. O que gerou um curioso e oportuno comentário de Fábio Gandour, cientista-chefe da IBM Brasil: “Daqui para a frente, o que for permitido substituir de átomos para bits será substituído, e é bom que seja. Porque — o que está acontecendo? — a população no planeta está aumentando, o número de átomos no planeta é finito, por incrível que pareça, finito e calculável, na grande potência de 10. A população está aumentando, e nosso consumo em átomos, em materiais, está cada vez maior. O corolário desse teorema, se a gente continuar consumindo dessa forma, crescente, numa população que também é crescente, eu sei que vai parecer pouco normal o que vou dizer, mas vou dizer mesmo assim: vai faltar átomo para os habitantes do planeta. Então, é melhor que a gente substitua alguns átomos por bits, porque pelo menos assim a gente garante um estoque de átomos para as gerações que estão por vir. O futuro só será uma maravilha se nós, no presente, tomarmos algumas providências para que esse futuro de fato seja melhor. Cabe ao telespectador pensar nisso e ver o que ele precisa fazer, planejar e transmitir, principalmente aos mais jovens, para que a gente tenha um futuro melhor”.

O programa foi finalizado com este pensamento de Arthur Clarke (1917-2008), escritor, cientista e visionário, que considerava o presente a maior inspiração para o futuro: “Comunicação e tecnologia são necessárias, mas não bastam para que nós, humanos, nos relacionemos bem. É por isso que ainda há muitos conflitos no mundo. A tecnologia nos ajuda a reunir e difundir informações, mas ainda precisamos de qualidades como tolerância e compaixão para alcançar um entendimento entre povos e nações”.

Trata-se de grande verdade que urge vivenciarmos. O Novo Mandamento de Jesus – “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos” – singulariza o Amor que torna a criatura capaz de doar-se em prol do seu semelhante. É indispensável fator de equilíbrio. Ora, o progresso é necessário, mas a preservação da vida no planeta é o mínimo de bom senso que se espera de todos. Eis a revolução que falta acontecer.

José de Paiva Netto - Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@uol.com.brwww.boavontade.com

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