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Instituto Eu Quero Viver
terça-feira, 3 agosto, 2010 14:25

Não há mudanças com uma única investida

 
 
 
Ricardo Stuckert / PR
 
   
  Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é recebido pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad na visita ao Irã em maio deste ano  
     

Entre nações ou entre indivíduos, o respeito deve ser o alicerce. Segundo as leis islâmicas, determinados tipos de crimes são punidos com a morte. Não se trata portanto de glorificar ou enaltecer uma pessoa que em seu país e consequentemente sob suas leis comete algum tipo de transgressão. Sakineh Mohammadi Ashtiani se enquadra neste caso pois infringiu as leis de seu país.

O impulso humanitário é natural sob a ótica ocidental, mas outros povos do mundo, e os iranianos se incluem, também são humanitários. Os países e suas culturas não podem ser analisados sob um único ponto de vista, mas podemos fazer nossos apelos.

Vou parabenizar o presidente Lula pela coragem política de se manifestar pois ao contrário do que muita gente pensa, não é assim tão simples levar ao nível de Chancelaria, questões internas de outros países.

Continuo defendendo a possibilidade de comutação da pena de morte em algum tipo de pena não lesiva para qualquer pessoa no mundo. Acredito que permitindo a vida, corrige-se mais facilmente os desvios. Quando escrevi o primeiro artigo, onde solicitava do governo brasileiro, asilo para a mulher iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, não me movi para questionar o código de condutas do Irã, mas cogitei da oportunidade de preservar a vida.

No primeiro momento o próprio presidente Lula, disse que não iria promover ingerência num país estrangeiro e que era necessário respeitar a soberania e coisas afins. No último dia 31, durante comício no Paraná, o presidente fez o apelo (para que permita ao Brasil conceder asilo a esta mulher) e eu escrevi o segundo artigo, parabenizando o gesto. E hoje (3) o senhor porta-voz do Ministério do Exterior do Irã, Ramin Mehmanparast, sinalizou que o governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, não aceitará a proposta de asilo oferecida pelo presidente Lula. Segundo o porta-voz, Lula tem uma personalidade emotiva e fez a oferta sem dispor de informação suficiente sobre o assunto. Lula é o nosso presidente e se fez porta-voz do pedido de muitos brasileiros, e assumiu a responsabilidade política que é o seu papel entre outros.

Assuntos diplomáticos são costurados ponto-a-ponto, sem atropelos, por isso são chamados diplomáticos e se fossem praticados com mais frequência, não teríamos guerras. Se na década de 60, praticássemos a diplomacia, não teríamos a guerra fria, não teríamos o embargo à Cuba e talvez o regime de Fidel nem tivesse durado tanto. Talvez Kennedy tivesse terminado seu mandato e morrido de causas naturais ou estivesse vivo até hoje. No nosso caso talvez, os militares não teriam assumido o comando do país e muitas vidas teriam sido poupadas, muitos cientistas e pensadores teriam ajudado o Brasil a superar suas dificuldades, muitas das quais ainda vigoram.

O cerne dessa conversa é a tolerância e o conjunto de ferramentas é a diplomacia e o apelo de Lula não foi em vão, mas a história deverá seguir os passos político-diplomáticos construídos dia após dia. Diplomacia está meio fora de moda e Lula tem ressuscitado essa maneira de comportamento de um país. É com a diplomacia que se removem obstáculos e se modificam ou abrandam os comportamentos.

Aqui no Brasil ainda temos trabalho escravo, corrupção, falta de saneamento e educação, entre outras violências inaceitáveis, considerando entre outros, o imenso progresso tecnológico já alcançado pela humanidade.

E com todo respeito ao Irã e a todos os países islâmicos, convido novamente meus leitores para engrossarem o côro pela libertação imediata de Sakineh Mohammadi Ashtiani, ou mesmo um modo dentro da legalidade para comutação dessa pena em forma de apelo ao senhor Mahmoud Ahmadinejad, lembrando a todos que ele também respeita as leis do país que governa.

Para que não haja violência, para termos autoridade moral de acabar com as violências é preciso também que a violência desapareça do nosso coração. Construir o mundo dos sonhos só é possível com as pequenas atitudes de cada um. Até que essa e outras histórias tenham um bom final.

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