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domingo, 20 fevereiro, 2011 17:59 atualizada em domingo, 20 fevereiro, 2011 21:47

Quando as coisas já não funcionam como deveriam (68 revisitado)

 
 
 
Jorge Henrique Singh/Wikimedia
 
   
  Vista parcial do comício do Vale do Anhangabaú, São Paulo, em 16 de abril de 1984  
     

Quando um modelo vence, todo esforço para mantê-lo vivo resulta em fracasso. Assim de tempos em tempos uma onda sacoleja e o que é velho vai embora, de um jeito ou de outro.

Seja orquestrada dos bastidores, seja pela indignação das pessoas, seja pelas duas coisas, essa onda sacolejante mostra aos que se agarram a modelos vencidos, que mudar não só faz parte da história do planeta, mas é absolutamente necessária para a continuidade da vida.

O discurso não cola mais, as denúncias se repetem sem que se veja a atitude correta sendo tomada, o festival de desculpas que mudam conforme o lado em que se está. Um dia todo mundo cansa.

Não é ao acaso que Tunísia, Egito, Bahrein, Líbia Irã, Iemen, Argélia, Marrocos e sabe-se lá mais quem, enfrentam movimentos de revolta e pedidos de destituição de seus governantes.

Quando Mohamed Bouazizi de 17 anos ateou fogo em si mesmo em Sidi Bouzid, região central do país por ter sido impedido pela polícia de vender, sem permissão, vegetais em uma banca de rua, ninguém esperava que ali nascesse uma onda de protestos contra o desemprego que acabou na destituição de Zine Al-Abidine Ben Ali, governante há 24 anos.

Mubarak, caiu cerca de um mês depois e a onda cresce. Os protestos podem refletir a frustração da população com a elite dominante e a ausência de liberdades políticas.

Um redesenho no Oriente Médio, vai com certeza mudar a cara do mundo, e ninguém sabe o formato disso. O tempo dirá.

Quando nos idos de 68 um ardor inesperado espalhou-se como pólvora acesa pelo mundo, era por mudanças que as pessoas esperavam. (Leia como sugestão esse texto).

Aos que não viveram naquele momento da história pode-se sugerir também a leitura do livro de Zuenir Ventura:

'1968 o ano que não terminou' - é um retrato fiel de todos os acontecimentos que fizeram do ano de 1968 um divisor de águas na história brasileira e mundial. Além de ser uma peça de excelente jornalismo, um exemplo de texto brilhante, '1968 - O ano que não terminou' presta relevante serviço à revitalização da consciência democrática brasileira. Quarenta anos depois das barricadas de Paris, das manifestações contra a Guerra do Vietnam, da Passeata dos Cem Mil e do AI-5, o escritor e jornalista Zuenir Ventura retorna a 1968 para, a partir daí, investigar o que restou da herança do mais polêmico ano do século XX. '1968 - O que fizemos de nós' chega às livrarias em uma caixa presente juntamente com a reedição de '1968 - O ano que não terminou', lançado há 20 anos. O livro conta com depoimentos inéditos de Caetano Veloso, Fernando Henrique Cardoso, José Dirceu, Fernando Gabeira, Franklin Martins, entre outros. " (sinopse)

Ou então, ou também, ler o livro de Mark Kurlansky traduzido por Sonia Coutinho:

No livro '1968 - O ano que abalou o mundo', o pesquisador revive detalhadamente toda a história política e cultural desses doze meses cruciais para a sociedade contemporânea. Foi uma época de mudanças extremas, onde tudo - música, política, cinema, comportamento, economia, imprensa - foi posto abaixo para ser reconstruído de maneiras absolutamente novas. Da invasão da Checoslováquia à queda de Nixon, Kurlansky analisa o dia-a-dia desse ano fervilhante e turbulento através de uma perspectiva global e um texto atraente. Dando a entender que seria um ano bem ordenado, 1968 começou numa segunda-feira. O Papa Paulo VI declarou que aquele 1º de janeiro seria um dia de paz, motivando uma trégua na Guerra do Vietnã. Ao mesmo tempo, a manchete da primeira página do jornal The New York Times dizia - "O mundo dá adeus a um ano violento". Tudo isso, no entanto, não passava de um alarme falso. A verdade é que nunca houve ano mais atribulado do que 1968; a guerra tornou-se mais terrível do que nunca, Martin Luther King e Robert Kennedy foram assassinados, a Convenção Nacional Democrata de Chicago resultou em tumultos generalizados, o Festival de Cannes e a Bienal de Veneza foram fechados, a União Soviética começou a ruir, o concurso de Miss América foi interrompido por manifestações feministas. O que mais impressiona durante a leitura de '1968 - O ano que abalou o mundo' é o fato de, num planeta ainda distante daquilo que ficou conhecido como "globalização", ter ocorrido o que o autor considera uma "combustão espontânea de espíritos rebeldes no mundo inteiro"; habitantes dos mais diversos lugares se rebelaram em torno de diferentes questões, tendo como objetivo comum a necessidade de derrubar a ordem estabelecida. Nada foi planejado ou organizado; simplesmente aconteceu. (sinopse)

O Oriente Médio está por assim dizer experimentando uma onda de mudanças, o povo está indo às ruas e reclamando seus direitos, sua liberdade.

Nós, no Brasil, também já passamos por isso, tivemos 22 anos de estado de exceção, de eleições indiretas, de governadores e prefeitos nomeados, da governança exercida por "atos institucionais" e "decretos". E isso me assombra quando dito por gente que um dia desejou derrubar a ditadura, clamou por liberdade.

Como brasileiro posso pedir à presidenta Dilma Rousseff, que vá à televisão explicar os motivos para os R$ 545,00 do salário mínimo, que participe ao povo que a elegeu a delicadeza das contas públicas, os verdadeiros motivos que impedem um aumento maior e peça a esse mesmo povo que reivindique as reformas políticas e tributárias tão escancaradamente urgentes ao país. Mostre sim a todos nós que o Brasil é uma democracia de fato e de direito. Que podemos reclamar ou cruzar os braços se preciso for, sem medo de apanhar da polícia. #abaixodecreto

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