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domingo, 10 abril, 2011 14:17

100 dias de Dilma e popularidade

 
 
 
Antonio Cruz/ABr
 
   
  Dilma recebe Bono Vox, vocalista e líder do U2  
     

Em que possa pesar o simbolismo do período, e o pipocar das primeiras pesquisas de popularidade, não há muita novidade na gestão presidencial de Dilma Rousseff.

A presidenta destoa dos seus antecessores no quesito exibicionismo e isso me parece um excelente sinal. Pragmática, está dando mostras de que veio para governar no sentido lato da palavra, o que é excelente para o bem comum.

100 dias não representam muita coisa nos 4 anos de governo e nesse caso seriam 8 anos e 100 dias se considerarmos a linha mestra que pautou o governo de Lula. Índices de popularidade, foram uma ferramenta utilizada pelo governo anterior extremamente questionável no meu entendimento, para justificar ou blindar o cargo e por extensão fortalecer o estado democrático. Ainda tem muita sombra de ditadura nas nossas instituições e comportamento. Um impeachment por exemplo, talvez não fosse bom para o país, ou mesmo não tivesse razão de ser.

Embora não sejam descartadas, as pesquisas não parecem ser o mecanismo pelo qual Dilma Rousseff vai pautar suas ações, nem fazê-la subir no salto. Engana-se quem acha que ali está um Lula de saias. Isso é visão machista.

Dilma vai fazer os ajustes, vai cortar os excessos, vai calibrar o trilho sobre o qual o Brasil precisará correr rumo à eternidade, durante seu período à frente do Planalto. Penso que seria extremamente útil ao país se todos começássemos a praticar um saudável pragmatismo em nossas atitudes, desbancando o sensacionalismo e o gosto pelo escândalo que muitos por aqui nutrem.

O perfil eminentemente técnico de Dilma Rousseff não permite, nem cogita ações de "oba-oba". A batalha pelo valor do mínimo de R$ 545,00, o corte de R$ 50 bi no orçamento, a valorização do papel da mulher na administração pública e a marca de governo de extinção da miséria são pinceladas do estilo da presidenta.

O fantasma da inflação é outra grande batalha que ela terá pela frente e assim conduzir a economia para manutenção da felicidade geral. Ou seja, no processo de construção do Brasil democrático que recomeça com a eleição de Tancredo, Dilma tem a responsabilidade de encaixar outros tantos tijolos, verificar a consistência das fundações para seguir subindo as paredes desse edifício. Um processo de discussão e comparação permanente deve ser feito por todos os setores da sociedade, fazendo crítica e elogio, porque Democracia é um exercício bastante penoso.

Algo me diz, observando o perfil da presidenta, que ela ouve antes de falar, pondera e determina na sequência buscando um consenso com base na autoridade que o cargo lhe confere e espera ser correspondida, como é de se esperar das mulheres no geral. Homens são objetivos, mulheres são subjetivas e Dilma Rousseff parece combinar com lucidez esses dois aspectos, quando mescla seu ministério com boas cabeças dos dois lados.

Minas Gerais e os 100 dias
Um dos passos mais interessantes desse balé e a aproximação de Minas Gerais com o governo federal. Antonio Anastasia e Dilma Rousseff, já protagonizaram o pragamatismo sadio em Uberaba na questão da autossuficiência na produção de fertilizantes e em Belo Horizonte no lançamento do Rede Cegonha. Não resolveram todos os problemas de Minas, mas já apontaram o cenário onde as coisas deverão acontecer. Nem Anastasia, nem Dilma parlamentaram, agiram no estrito espírito de governança. Discussões são para o Parlamento, não para o Executivo. Minas Gerais deu o primeiro passo, subliminar, de como deve ser a relação governo estadual e federal e é de se prestar atenção na mineirice do gesto, Minas é subjetiva.

Tudo aponta para o sepultamento de um estilo intermediário que reinou entre o fim da ditadura militar e a gestão Lula, para desembocar no perfil Dilma de gerir os destinos do país como um escritório, onde as tarefas precisam estar em sintonia para produzir resultados plenos e promover o crescimento sustentável e economicamente centrado do Brasil.

Contemporização e Firmeza
Definitivamente, Dilma Rousseff indica que não vai fazer o estilo revanchista, nem saudosista, nem melodramático para tratar de todas as questões que nos interessam. Na visita de Obama, embora nem tantos acordos tenham sido fechados, o Brasil ganhou destaque mundial e foi tema de conversas do presidente americano, mesmo no Chile e El Salvador. Na recepção ao presidente Obama, estavam os ex-presidentes do nosso reconquistado estado de direito, menos Lula, que encontrou assim um modo de aparecer mais que os outros, notado pela ausência.

Outra demonstração é o relacionamento com os militares. Dilma deixou bem claro que não mistura os acontecimentos pontuais no período da ditadura com o papel das instituições militares no contexto do Estado. As condecorações recebidas na semana passada e o destaque que ela deu à importância dos militares nas questões de defesa do país, do pré-sal e da Amazônia sinaliza que a instalação da Comissão da Verdade é para investigar os crimes de violações dos direitos humanos durante a ditadura e não a instituição Forças Armadas.

Promove-se com ênfase a necessidade de decolar o Plano Nacional de Banda larga e a aprovação de alterações na lei que rege o FUST, Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações.

Dilma discursou em defesa da liberdade de imprensa no evento de 90 anos do jornal Folha de S. Paulo e ressaltou que a democracia só é possível na presença da multiplicidade de opiniões e do contraditório. A presidenta também foi conversar no programa Mais Você da Rede Globo e tratou de questões como o câncer de mama e ascensão social.

Declarou em entrevista ao Valor Econômico que descarta fazer a reforma da Previdência e que não vai apoiar mudanças na legislação que representem perda de direitos pelos trabalhadores.

Os compromissos assumidos na campanha de não anistiar desmatadores, nem reduzir áreas de preservação ambiental em grandes propriedades e a pressão da bancada ruralista no Congresso Nacional e o relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP) que agrada os representantes do agronegócio e desagrada ambientalistas, já ocupa a tropa de choque do gabinete presidencial para não se transformar em derrota. A questão é delicada e envolve múltiplos interesses, muitas vezes opostos e vai requerer de Dilma uma postura pragmática outra vez. E pelo que já disse acima, parece que esse vai ser o tom e a melhor ferramenta da presidenta durante seu mandato.

E em todos esses temas e momentos, Dilma recebeu elogios e críticas da oposição e da situação, mas vem seguindo firme no seu propósito de governar para todos e com todos e nós, estamos tendo a chance de fazer a mesma coisa no nosso dia-a-dia.

De um lado descontraído, mas não menos austero, Shakira e U2 fizeram parte da agenda. De um lado triste, o infeliz acontecimento no Rio de Janeiro que arrancou lágrimas de Dilma e de todos nós, colocou lado a lado duas questões cruciais para o Brasil. Trágica ironia, a dimensão da violência encontrou seu apogeu numa escola. Certamente os pontos mais sérios a se tratar com vigor por nossa mandatária.

Digamos então para finalizar, que 100 dias e índices de popularidade, não fazem mesmo diferença num estilo de governar que distoa definitivamente de tudo que veio antes e a melhor avaliação que se pode fazer é com acompanhamento e participação da sociedade e de seus setores organizados, sem rompantes ou histrionismos. Dilma Rousseff está sinalizando, felizes dos que prestarem atenção.

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