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Instituto Eu Quero Viver
quinta-feira, 26 julho, 2012 12:30

A falta de respeito pela história é falta de respeito por nós mesmos

Léo Figueiredo
Era assim
Ficou assim
Inventário produzido pela Secretaria de Cultura de Uberlândia em 2007

Ações isoladas não beneficiam ninguém. Ou nos apropriamos da cidade como um organismo inteiro ou deixa prá lá.

A única coisa que posso fazer nesse momento é alardear a quantos leiam isso agora e no futuro e deixar aqui registrado o quanto precisamos evoluir moralmente.

No próximo 31 de agosto, Uberlândia comemora 124 anos de emancipação político-administrativa.

E nesse ano já ganhou com pouco mais de dois meses de antecipação, um presente amargo.

Uma casa que tinha praticamente a idade da cidade (e talvez o último exemplar vivo do que o inventário da Secretaria de Cultura relata: "Apesar das interferências realizadas, é a residência que melhor conserva as características construtivas e de agenciamento dos espaços internos da arquitetura do final do século XIX e início do XX na cidade") foi ao chão.

Impossível de impedir? Não! Há casos em que num extremo de criatividade de engenharia e arquitetura possíveis com as tecnologias atuais o bem histórico fica protegido pela nova intervenção, outras em que vira a porta de entrada e espaço destinado às manifestações culturais.

Essa visão estanque tão comum aos latinos (ainda que eu não possa generalizar) é uma das raízes mais fortes dos nossos problemas sociais. Nossa visão de progresso passa necessariamente pela destruição, não sabemos construir história, sabemos apenas começá-la novamente e aí mora o grande perigo. Quando você destrói o elo com o passado, repetem-se os erros. É para isso que serve a preservação da memória, para que se tenha parâmetro, para se fazer autocrítica, para se melhorar.

A deterioração da base cultural deforma indivíduos e esses ao invés de evoluir, apenas repetem e patinam no próprio desconhecimento.

Que fique também bem claro que o direito à propriedade é inalienável e que não cabe punir o herdeiro por querer dispôr da herança com fins comerciais. O estigma do "tombamento" coloca os herdeiros em pânico e aí o que acontece são ações tresloucadas e o bem vai ao chão.

Ao contrário do que pensam muitos, não é só o Poder Público o responsável pela preservação, ele é um elemento de catalização, mas a apropriação cultural deve ser tarefa de todos. Em Uberlândia, por exemplo, o excesso de "estrangeiros" provoca esse fenômeno do distanciamento do bem histórico e o herdeiro tentado pelo poder econômico acaba cedendo, sem perceber que poderia ganhar muito mais com o bem preservado, igual ao que tanto falam hoje sobre as florestas. Floresta em Pé vale mais que floresta no chão.

Uberlândia perdeu vários exemplares arquitetônicos para uma construtora que andou por aqui prometendo maravilhas e o resultado foram vários esqueletos de concreto e no final nem casa, nem apartamento, só dor de cabeça para tentar reaver o dinheiro perdido.

Nossa cidade não tem praias, nem montanhas, nenhum atrativo natural, então é no Patrimônio Histórico que deveria se amparar o esforço por transformá-la num pólo de turismo de negócios. O Circuito Cultural para o turista traz tanto dinheiro para a cidade quanto o evento realizado atrás das paredes envidraçadas. Um restaurante ou um equipamento cultural e histórico atrai o interesse de gente culta e pode significar um dia a mais de permanência desse turista e um reforço na renda de toda a cadeia produtiva.

Quando uma casa de 120 anos numa cidade de 124 vai ao chão, perde-se um pedaço significativo da história, fica difícil vender o conceito de sustentabilidade, fica difícil até ensinar uma criança a não jogar papel no chão.

Essa falta de respeito pela nossa história e que faz com que percamos o respeito por nós mesmos e vivamos única e exclusivamente por conta das "Leis de Mercado" que nos consomem, chupam e dispensam o bagaço.

Ainda que essas ações sejam vistas como isoladas, é o seu conjunto que vai deteriorando nosso senso de identidade coletiva. Diziam os antigos que "de grão em grão a galinha enche o papo". No correr dos anos essas "ações isoladas" vão formar a desidentificação com nossa própria história pessoal e de tudo o que nos rodeia e em duas ou três gerações você terá o perfil adequado à dominação e ao servilismo.

Do ponto de vista privado tem uma alternativa, que é criar uma fundação ou entidade parecida para tentar até com apoio internacional comprar certos bens para promover sua preservação. Essa casa tinha quase a idade da cidade ou até um pouco mais. Contra o capitalismo em sua versão obtusa é preciso usar o mesmo capitalismo em sua versão esclarecida que vê dinheiro na preservação. E vou defender a Secretaria de Cultura porque sei que eles tentaram dentro da lei conseguir o tombamento. Para preservar o patrimônio histórico é necessário mobilização e atitude de todos os setores da sociedade. Uberlândia, Araguari, Estrela do Sul e outras localidades no entorno ainda tem alguma coisa para contar a história, mas sem união de forças não há resultado.

Lembro aqui para encerrar que a catedral de Ulm, na Alemanha, teve sua pedra fundamental lançada em 1377 e apenas 513 anos depois foi concluída. Na Segunda Guerra Mundial, 80% do centro histórico da cidade foi destruído pelos bombardeios mas a igreja resistiu e está lá até hoje ostentando o título de igreja mais alta do mundo com sua torre de mais de 160 metros. Talvez e isso é só uma opinião empírica, tenham sido os 513 anos e a energia de cada homem e cada pedra colocada lá que tenham salvado a bela catedral das bombas.

Links de gente que se empenha em guardar a memória :

https://www.facebook.com/EFGoyaz

https://www.facebook.com/leonardo.fonseca.7967

http://www.saopauloantiga.com.br

Está lançado o desafio.

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