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Instituto Eu Quero Viver
sábado, 1 dezembro, 2012 23:24

Um país moralmente frouxo

Agência Brasil
O país dos gabinetes não chegou ao chão de fábrica, o discurso ainda é muito distante da realidade

Ainda que eu não possa ser generalista, coisa aliás que não podemos ser nunca, afirmo que somos um país moralmente frouxo. Estou sendo metafórico. Mas se eu puder provocar uma discussão, com direito a prós e contras, vou me sentir mais feliz.

E nesse mesmo raciocínio, nossas instituições são frouxas, nossos sistemas são frouxos e nossas políticas são frouxas. Não me refiro a ninguém em especial estou fazendo uma crítica de costumes e sei que as hierarquias e esferas de poder, não podem ser transpostas pela simples vontade do ocupante do cargo. Democracia. Mais fácil de pregar do que praticar. E sei também que muita coisa boa acontece, mas se perde no meio do achismo e da visão umbilical de todos os setores em vários momentos.

Confundimos direitos humanos com permissão para tratar igualmente criminosos e cidadãos de bem e esquecemos das nossas favelas, da precariedade das nossas escolas, do absurdo sistema público de saúde, da seca eterna do Nordeste. Nesse ponto uma ressalva: -Saberei se há verdadeiramente liberdade de expressão, se esse artigo não me criar nenhum problema. Somos também o país das siglas e dos slogans. Falamos mais do que fazemos e damos nomes demais para resultados de menos.

Os distúrbios urbanos ocorridos nessas últimas semanas, foram relatados pela imprensa e a reação das pessoas foi semelhante a uma claque de programa de auditório. Não vimos aqui, nenhum panelaço, como o que recebeu dona Cristina.

Atearam fogo em ônibus, mataram policiais, atiraram contra presídios e delegacias, bandidos decretando toque de recolher e as autoridades discutindo "estratégias" e medidas futuras para conter a onda de ataques. Muito parecido com o tricampeonato de futebol no México. E a maioria com cara de samambaia estupefata.

Nessa linha, ações criminosas foram cometidas em Santa Catarina em pelo menos 11 cidades. Talvez para tirar o foco de São Paulo, que por sua vez eclipsou o Rio de Janeiro. Com esse rastilho que inclui Bahia e Minas Gerais com seus caixas eletrônicos voadores, vamos passar pelos 27 estados da Federação e em breve a presidente Dilma, falará em cadeia nacional que toda a situação foi controlada e o Estado está senhor absoluto da situação. Com isso estarão garantidas a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016,

Não sei ler notícia de forma linear, uma após a outra, minha cabeça fica ligando os pontos.

Os advogados de Chico Picadinho, que está preso há 35 anos, esperam há dois, que a justiça conceda-lhe liberdade. A notícia bizarra está no G1 e só para resumo, o cara matou e picou em pedaços uma dançarina em 1966, ficou 8 anos preso, foi colocado em condicional em 1974 e adivinhem o que ele fez, matou e picou outra mulher. Se você quiser ler vai conhecer um pouco do perfil psicológico do cara. Dizem que ele pode ser reinserido na sociedade e viver da venda dos quadros que pintou durante esse tempo de prisão. Com um pouco de sorte, ele pode vir a ser seu vizinho.

Índios, quilombolas e outros povos
Em Douradina-MS cerca de 300 índios guaranis kaiowás e nhandevas participaram do Aty Guasu, tradicional assembleia guarani, denunciaram episódios de violência e exigiram a rápida demarcação de terras. "Não aceitaremos mais promessas vazias e conclamamos toda a sociedade brasileira e internacional (grifo meu) a continuar exigindo do governo brasileiro a demarcação de todas as nossas terras." A Aty Guasu reúne lideranças de todas as comunidades da etnia existentes em Mato Grosso do Sul. Ontem (30), aconteceu um encontro para tentar achar soluções para o conflito fundiário entre índios e fazendeiros, que há décadas disputam terras no estado. (A informação é da Agência Brasil)

Penso que a maioria esmagadora dos brasileiros, não faz ideia do que é o Brasil, um caldeirão, entupido até a boca de problemas, que outros povos, alguns há séculos, "resolveram" com a pólvora, a mais rasa e deprimente forma de controle. Acredito que temos a oportunidade de mostrar a nós mesmos que somos capazes de fazer melhor. Mas até quando?

Quando os portugueses chegaram por aqui, encontraram "índios" porque afinal de contas saíram do Tejo para "descobrir" um caminho para as "Índias" e misturaram todos os seres humanos e suas etnias, num único grupo. Tempos depois fizeram a mesma coisa no continente africano, tratando como "negros", o que eram também comunidades humanas estabelecidas, com seus costumes e suas diferenças e fizeram deles, em alguns casos, tal como com os "índios" daqui, com o auxílio de seus inimigos naturais, escravos. E assim nascia o Brasil.

Os quilombolas, lutam por um espaço de terra que seus antepassados ocuparam, fugindo do sistema escravista. Os sem-terra lutam pela reforma agrária, os sem-teto, invadem prédios e casas abandonadas nas grandes cidades.

Passados 512 anos, todo mundo está cobrando seu quinhão. Parece que os problemas nunca se resolvem e andamos em círculos tampando os buracos. O documento produzido por essa Assembleia, fala de coisas e problemas de qualquer brasileiro:

No documento aprovado ao fim da assembleia, os índios fazem uma série de reivindicações e voltam a criticar o governo federal pela "morosidade em demarcar as terras indígenas" já identificadas. Os guaranis exigem que os governos federal e estadual consultem a Aty Guasu sobre qualquer iniciativa ou procedimento que afetem os interesses indígenas e pedem que medidas mais as eficazes sejam tomadas para garantir a vida das lideranças, sobretudo daquelas de comunidades em áreas de conflito.
A Aty Guasu também pede mais atenção e recursos à saúde indígena, alegando que os guaranis são vítimas de um processo de "etnocídio" e estão "condenados a um sistema de saúde sucateado", no qual faltam profissionais dispostos ou aptos a atender as áreas indígenas. Situação semelhante à encontrada no campo da educação indígena, de acordo com o documento entregue às autoridades.
Os índios também criticam o Poder Judiciário, que, no documento, é classificado como o maior "executor de penas que causam a morte de nosso povo". "Processos de demarcação há anos se arrastam nos porões do Judiciário; ordens de despejo são dadas a todo o momento e indiscriminadamente [...] quando é obrigação do governo brasileiro garantir escola, saúde, alimentação e documentação para nosso povo, onde quer que ele esteja", criticam os líderes indígenas presentes à Aty Guasu, afirmando que o Estado só age para garantir os direitos indígenas quando pressionado pela repercussão midiática e social de certos temas.
"Repudiamos todas as violências, ameaças às lideranças e mentiras levantadas contra nossos parentes e reafirmamos para toda a sociedade que estamos unidos com o mesmo objetivo. Não permitiremos que outros povos sejam massacrados como o nosso. Por isso exigimos a demarcação das terras do povo Terena, Kinikinau e Ofaié, além da imediata devolução das terras do povo Kadiwéu". (Agência Brasil)

Demarcação foi o que fez o colonizador, sem respeitar nenhuma das peculiaridades culturais, a sabedoria natural desses povos, está perdida, pois eles estão cobrando melhorias no SUS. Cobram outras ações dos governos Federal e Estadual, ou seja querem viver como "índios" mas o discurso é igual ao de qualquer outro cidadão. Ninguém fala em integração. Aproveite e veja também essa matéria do ano passado no G1.

"Eu particularmente penso, em processar o governo da Itália, porque descendo de italianos expatriados, pela crise que a Europa viveu no século 19 e meus avós, foram "obrigados" a embarcarem para o "Brasile" deixando para trás toda a história e recomeçando do nada numa terra nova".

Quando digo que somos um país moralmente frouxo é porque não há uma política duradoura sequer, um programa dedicado a quem quer que seja que tenha continuidade e o discurso é sempre paternalista e procrastinador. E ai de quem ousa fazer diferente. Massacre.

Como naquela piada dos infernos, o brasileiro é o mais rígido de todos no regulamento, mas todo dia falta alguma coisa e então acaba por ser o melhor de todos. Não tomamos partido, não discutimos os nossos problemas e esperamos que "alguém" resolva. Se o céu, não é esperado por nós, talvez seja porque no nosso inconsciente, mesmo que herdarmos o inferno, sabemos que não vai ser tão ruim assim.

Essa malemolência está impregnada em tudo que se faz nesse país. Primeiro o inútil, depois o improvável, quiçá o imponderável, mas o necessário, ahhh, fica para depois. Por isso brigamos por um petróleo que ainda não vimos, que precisa se tornar economicamente viável e que pode se mostrar um prato para 27 e todos passarão fome. Ainda tem Belo Monte, Comissão da Verdade, cotas na universidade, rodovias esburacadas e ferrovias, aeroportos, portos, inclusão digital. Somos um país onde tudo está por fazer, não há sistema completo, não há tradição. O país dos gabinetes não chegou ao chão de fábrica, o discurso ainda é muito distante da realidade. "Deus seja louvado".

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