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Instituto Eu Quero Viver
domingo, 16 dezembro, 2012 0:40

Democracia, água e ditadura em excesso fazem mal

Michelangelo Buonarroti (1475–1564)
The Delphic Sibyl

Nada em excesso, era uma das máximas do Oráculo de Delfos, na Grécia Antiga. Comportamentos ou teorias humanas sejam de qualquer época, comprovaram essa sabedoria do oráculo, que muitos ainda tem dificuldade de aprender e praticar.

Reside aí o segredo de uma vida pessoal ou em comunidade, de que por não existirem sistemas perfeitos, os tempêros, a revisão das doses e as verdades, precisam o tempo todo de ajustes.

No próximo dia 1º as cidades brasileiras assistirão a posse de seus novos prefeitos e secretários e dos novos vereadores.

Por isso vou mandar-lhes três sugestões, que penso ser arrazoadas e que farão com certeza mais felizes a todos nós, cidadãos.

1 - Comecem por fazer o que está sem fazer.

2 - Abram um amplo diálogo para que o povo diga como e por que mexer no que está feito.

3 - Jamais, durante os próximos quatro anos, colocar a culpa na gestão anterior, porque vocês foram eleitos para trazer coisas novas, gerenciar o bem público de modo a trazer bem estar a quem lhes paga o salário.

No primeiro caso, é preciso ter verdadeiramente o conhecimento da cidade que vão governar, pois o que não existe, o que nunca foi feito, precisa de alma leve, coração limpo, visão larga e vai impactar fortemente a vida dos munícipes. Isso vai ser a marca do governo, vai significar o futuro político de vocês, vai fazer a diferença. Juscelino fez isso, pouco importa que gostem ou não dele. Viu a capital do país no meio do Cerrado e fez.

No segundo caso será preciso colocar de lado todos os relatórios e avaliações feitas pela equipe de transição e ir para a rua cercado de um bom grupo de técnicos, administradores, cinegrafistas, fotógrafos e jornalistas para escutar as pessoas ao invés de se renderem aos interesses de grupos. Escutem muito e falem quase nada.

A cidade das planilhas só existe nas planilhas e pessoas não são números dentro de uma estatística e as suas boas intenções podem ser muito bonitas e não servir de nada aos cidadãos.

Enquanto isso mantenham funcionando tudo o que a cidade tem, até aprenderem como funciona. Sejam humanos, não saiam trocando gente de lugar só para atender interesses de campanha, vocês vão descobrir que há muitos dispostos a ajudá-los nessa tarefa do que entre seus próprios partidários. Há mais patriotas no Brasil do que se supõe. Uma maioria esmagadora quer ver o país crescendo e as injustiças sociais diminuindo muito acima de legendas siglas e acordos.

Não queiram trazer para a sua cidade aquilo que as outras não quiseram fazer. Educação, saúde, transporte, infraestrutura, emprego e renda é responsabilidade de cada cidade. Lembrem que querendo ser o centro das atenções você vai atrair também os problemas que alguns espertos fingem não ter para não resolver.

Embora o livre trânsito seja um direito constitucional a migração de muitos para o mesmo lugar procrastina a solução dos problemas daqueles locais e deteriora as conquistas conseguidas pelo trabalho de outros. Lembrem que os Estados e o País são feitos de municípios, único ente federativo que não é teórico, afinal, as pessoas vivem nas cidades. Esqueçam de vez essa história de criar "Eldorados".

Impor programas faraônicos e inúteis com o nosso dinheiro é ditadura, repetindo que o papel do município é prover educação, saúde, transporte, infraestrutura, emprego e renda e que o papel do estado e do país é o de "grosso modo" administrar os impostos para repassá-los aos municípios que é onde as coisas acontecem. Tudo que é instituição federal ou estadual nos municípios funciona mais lentamente que serviços municipais semelhantes. As esferas da burocracia são terríveis. No Brasil temos uma "mistureba" danada dessas responsabilidades. Um grande equívoco.

Sem medo de errar, programas pensados em Brasília, em cima de dados do IBGE, sobre um determinado município só vão funcionar se quem vive lá for consultado, não meia dúzia, mas a sociedade como um todo. Mapas e planilhas não refletem a realidade, apenas sinalizam.

O povo não quer siglas novas, o povo quer que os serviços existentes funcionem. Não desenhe o trajeto dos ônibus olhando no mapa, mas visitando os lugares, não construa praças onde faltem escolas, mas não prescinda da praça. Preocupe-se menos com a placa e mais com o serviço. Haverá outro jeito de eternizar seu nome. Em alguns casos, faça como seu antecessor, trabalhe.

A sabedoria dos governantes vai transparecer quando o que escrevi no título for uma realidade, todo excesso é prejudicial, até de água. E um pouquinho de tempêro a mais ou a menos é genialidade do cozinheiro. Quando houver muitas vozes dissonantes seja democrático para ouvir todos, quando muitos forem recalcitrantes seja ditador, que é a capacidade e o poder conferido de ditar. E beba água, mas não em excesso porque embucha.

Façam discursos breves e direto ao ponto, sejam honestos e não sustentem agendas ocultas, não doutrinem, planejem muito antes de colocar o carro em marcha numa determinada direção, não façam como fez o colonizador que no passado, viu madeira e não viu biodiversidade, que viu "índios" e não viu etnias, que foi à África e viu "negros" e não viu as nações que lá existiam e que pôs todo mundo para plantar cana e café e praticou violências odiosas contra as pessoas e contra os ecossistemas.

Desde que me conheço por gente o Nordeste é seco e as pessoas famélicas e São Paulo a locomotiva do país. O modelo está errado, está na nossa cara que fazer prosperar demais um lugar em detrimento de outros não funciona, tanto quanto não funciona dividir tudo em partes iguais, porque ou criamos "poderosos" ou colocamos todos a mendigar. As bobagens respectivas do Capitalismo burro e do Socialismo burro.

Há muito mais gente hoje em dia, enxergando a repetição dessas derrapadas históricas e disposta a fazer barulho quando as coisas saírem dos trilhos.

E para encerrar, no terceiro caso, deixo uma citação de Antoine de Saint-Exupèry in Cidadela, cap. IX,(1948):

Não queiras inventar um império onde tudo seja perfeito. Bom gosto é virtude de guardião de museu. Se fores desprezar o mau gosto, não terás nem pintura, nem dança, nem palácio, nem jardim. O trabalho da terra, que não é propriamente um trabalho asseado, dar-te-á medo. Virás assim a ficar privado dele, devido a esse teu vazio desejo de perfeição. Inventa um império onde tudo seja simplesmente fervoroso.

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