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Instituto Eu Quero Viver
sexta-feira, 21 junho, 2013 1:13

Um descompasso profundo na comunicação

Luciana Santos Fotografia
A exemplo do que está acontecendo por todo Brasil, Uberlândia teve seu primeiro movimento, em grande estilo. Certamente o maior da história da cidade e com alto índice de civilidade
Meu agradecimento a Luciana Santos, fotógrafa que cedeu o uso de imagens para fins de imprensa

Em que pese o vigor do movimento, não se pode em sã consciência, delinear os rumos que irá tomar. A primeira impressão mais ou menos lúcida é que fica claro o descompasso na comunicação entre o que fala quem governa com o que fala quem é governado e o quanto se ouve.

Qualquer leitura reducionista vai errar e é preciso que as atitudes por parte do governo, sejam plenas e rápidas para que não se veja uma deterioração maior nessa relação.

A lista de insatisfações levadas nos cartazes é tão extensa que não há possibilidade de atendê-las a curto prazo, mesmo porque o emaranhado jurídico é grande, nenhum dos governantes é provido de direitos infinitos, de modo que nem nossa presidente Dilma Rousseff, nem Geraldo Alckmin, nem Sérgio Cabral, nem Antonio Anastasia aqui em Minas Gerais e no caso da minha cidade, Uberlândia, nem o prefeito Gilmar Machado, podem com uma "canetada" acabar com as agonias que vão no coração da população. É preciso obedecer as leis e contar com o Congresso Nacional, com as Assembleias Estaduais e com as Câmaras Municipais.

Mais do que isso, as soluções também terão que ser de acordo com as circunstâncias de cada cidade. Existe uma divisão de poderes e esferas de atuação próprias de cada tema. E agora as pessoas tem pressa.

Medidas populistas e eleitoreiras serão imediatamente detectadas, o que pode inflamar os protestos ao invés de acalmá-los e os entraves legais e de infraestrutura não serão resolvidos de um dia para o outro. Uma grande sinuca de bico.

Se o país ficar politicamente inviável as opções são todas desagradáveis e frontalmente contrárias ao nosso tão duramente reconquistado Estado de Direito. Destituir os ocupantes atuais e convocar eleições gerais? Golpe de Estado? Estado de Sítio? Toque de Recolher ou coisa que o valha? A solução precisará mesmo ser exaustivamente discutida e absolutamente criativa e perene para sairmos desse embrulho, coisa de que não fomos capazes em 1963.

Que há muita coisa errada no país, nós sabemos. O que estamos vendo nas ruas é o sinal de que o modelo está vencido, embora ninguém seja capaz de sugerir o que fazer. Nem as coisas boas estão contando como atenuante.

Minha amiga Dannie Karam, disse em postagens de seu perfil no Facebook que:

"sou só eu quem acha que numa hora dessas seria obrigatório que as autoridades máximas viessem a público com suas medidas (as urgentes, pelo menos)"

"Dilma, pelo amor de Deus. Tem centenas de milhares de pessoas nas ruas. Uma bombinha, uma correria, pode matar pessoas pisoteadas. Pode machucar idosos (como já aconteceu), machucar crianças (como já aconteceu) e causar o caos. Venha a público e decrete as primeiras mudanças emergenciais agora".

Confesso que não gostei nada, de assistir a depredação do Itamaraty, nem de ler que quatro manifestantes foram atropelados por um motorista em Ribeirão Preto (SP), que entendeu que deveria furar o bloqueio dos manifestantes usando os parachoques de seu carro importado e um deles morreu.

Será preciso muito tato, espírito estratégico e energia para evitarmos mártires e aumento da escalada de violência. Será preciso agir politicamente e com muito bom senso, antes que as pessoas voltem para casa e retomem a confiança nos seus governantes.

Mesmo que algumas coisas sejam legais do ponto de vista jurídico, são imorais aos olhos dos cidadãos que demonstram claramente seu descontentamento, tais como:

- Colocar Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para limitar os poderes do Ministério Público, uma das maiores vitórias da Constituição de 1988.

- Aceitar a permanência de políticos na Câmara dos Deputados, condenados no Supremo Tribunal Federal e ainda fazendo parte da Comissão de Constituição e Justiça.

- As denúncias frequentes de corrupção, superfaturamento e desrespeito às leis larga e fartamente divulgadas na imprensa.

- Os vultosos investimentos na construção de estádios além de desalojar populações, escolas e prédios históricos. Em contraste gritante com pessoas no chão das unidades de saúde. E a falta de transparência nos gastos.

- Demonstrações várias por parte de governantes como se fossem donos e senhores das vontades.

- A violência das ruas, os caixas eletrônicos que explodem, o desrespeito às minorias a despeito das leis.

Uma hora ía dar no que estamos vendo. As pessoas na rua, a mobilização pelas redes sociais, são apenas o sinalizador. Precisa-se agora oferecer soluções concretas.

Não obstante os efeitos positivos de muitos programas sociais federais, estaduais e municipais, há um sem número de problemas na saúde, na educação; há uma galopada dos preços na alimentação, nos combustíveis. Assistimos a presidente Dilma Rousseff, desonerar produtos da cesta básica, da energia elétrica, dos eletrodomésticos e o que assistimos é o aumento escandaloso dos preços nas lojas e supermercados, a escalada da inflação, o dólar alcançando valores impensáveis afetando profundamente diversos setores da economia.

Parece em metáfora, que o brasileiro é aquela mulher que apanhou em silêncio muitas vezes e relevou, relevou, relevou até que resolveu usar a "Maria da Penha", despejando de uma vez todas as surras que sofreu. Difícil vai ser explicar agora os "elevados motivos" para todas essas surras.

E por fim junte-se a tudo isso, o fato de que não há lideranças, não há uma agenda focalizada, sequer uma sequência lógica que possa ser catalogada, organizada e colocada em prática. Há uma multidão que vai às ruas, segurando bandeiras e cartazes pedindo, pedindo e exigindo mudanças imediatas. E uma parcela pequena que se aproveita maliciosamente do aparente anonimato e se põe a destruir o que é patrimônio de todos nós.

Nesse momento só uma dose vigorosa de humildade por parte dos governantes, habilidade diplomática sincera, (A bandidagem hoje contra o Itamaraty simboliza isso fortemente) uma aproximação objetiva dos ouvidos para compreender as metáforas das ruas, pode sinalizar o recomeço, dentro dos mesmos princípios que nortearam a passagem da Ditadura Militar para o Estado Democrático e colocar o Brasil alguns degraus acima. Precisamos mostrar e praticar maturidade.

Não há que se procurar culpados, apenas há que se colocar em serviço ao país, cumprir as metas, as promessas, ser intransigente com as falcatruas e facilitar ao máximo os canais de comunicação com a população com zero de burocracia.

Pois afinal de contas, creio que a maioria nem se importaria com o valor das tarifas, desde que o serviço prestado correspondesse às expectativas.

Não cometam o erro que algumas polícias, em alguns momentos cometeram, reflexo da postura do Estado, batendo indiscriminadamente em manifestante, em jornalista, pessoas na rua querendo voltar para casa e em bandido desocupado que se aproveitou para cometer seus delitos, causando um sentimento de revolta ainda maior, como um jato de combustível na já ardente fogueira das nossas insatisfações.

É de se esperar que muitos não entendam o motivo das manifestações. É que são muitos, são antigos e perpetuam-se desde os primeiros minutos, 513 anos atrás.

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