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Instituto Eu Quero Viver
Quarta-feira, 25 Dezembro, 2013 17:06

Pensando bem a culpa toda é da chuva

Ilustração | Angelo Agostini, jornal Cabrião, 1867
Note que a história já é bem antiga

A questão é simples. Há pelo menos 100 anos lidamos nos quatro cantos do país com enchentes. Temos lá pelos idos de 1900 o processo de retificação dos rios urbanos de São Paulo e o processo de alisamento dos morros no Rio de Janeiro e uma infinidade de canalizações de córregos e drenagem de várzeas para os mais diversos fins.

Um dos objetivos desse artigo é também aferir o SEO das palavras enchente, desmoronamento, deslizamento, incêndio, dinamite e caixa eletrônico.

É sabido e basta acompanhar o noticiário geral de todos os dias, que essas entre outras que não cabem aqui, frequentam os melhores lugares nos jornais impressos, internet, rádio e televisão.

Importantes a tal ponto que existem inúmeros veículos de comunicação exclusivamente dedicados aos temas. Devo pensar que dá lucro, senão já teríamos trabalhado intensamente para banir da nossa vida esses incômodos. Me pergunto muito o motivo de não haver atuação pontual e específica dos órgãos públicos em geral para prevenir essas coisas.

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Nesse ano de 2013 estamos assistindo os estragos que a ocupação desordenada e a falta de planejamento estão provocando no Espírito Santo e em Minas e há poucos dias no Rio de Janeiro, somarem-se a todas que já experimentamos.

Consultando meus arquivos, encontrei pelo menos 50 reportagens e álbuns de fotografia, mostrando o estrago provocado por enchentes somadas aos deslizamentos, desmoronamentos e incêndios resultantes da elevação súbita das águas de rios e córregos, nessa época especialmente chuvosa no Brasil.

A mesma cena de destruição, o mesmo flagelo das pessoas atingidas e as mesmas declarações dos governantes. "Houve um volume de precipitação nunca antes ocorrido nos últimos 90 anos", diz um; "Emitimos um alerta, mas as pessoas não atenderam", um outro; "O deslizamento do morro era completamente fora de cogitação, não entendemos como foi acontecer", diz mais alguém.

Me lembro sempre da famosa "parábola dos porcos assados" e do João Bom Senso que foi avacalhado pelo seu superior por propôr ordenamento e planejamento ao invés de incendiar florestas. "A ideia parece boa, meu jovem, mas o que faremos com toda a estrutura humana e material criada para esse fim?", diz o "chefe" antes de ameaçar sutilmente o João com o também famoso: "- Pare de falar essas coisas, pode ser ruim para a sua carreira".

Falta-nos o bom senso. A mais simples observação permite que qualquer um entenda a mecânica dos fluídos, onde se inclui a água e no entanto seguimos construindo bairros, asfaltando ruas e eliminando todos os pontos de drenagem. As autoridades, responsáveis pela organização dos espaços públicos, seguem de olhos fechados para a ocupação irregular de encostas e margens de rios e o resultado é esse que vemos todos os anos.

Vamos lá de novo contar os nossos mortos, a destruição da infraestrutura e o desperdício de bens e víveres. Parece mesmo que reconstruir uma cidade ou mesmo um bairro, destruído por uma enchente, deslizamento ou desmoronamento está ao alcance da cartola e da varinha mágica. Pasmo de ver que todos os governantes tem um discurso afinado para relatar essas tragédias, uma cara de lamento e o anúncio triunfante da liberação de recursos de emergência para dar todo atendimento às vítimas.

Faríamos melhor se esse empenho e dedicação fosse para o cumprimento das leis e a vigilância necessária para que várzeas, morros e assemelhados não fossem deliberada e inconsequentemente ocupados exatamente porque a água só conhece o caminho de menor resistência. As vidas destruídas e as histórias interrompidas, vão repercutir no futuro do país e as indenizações jamais vão secar o choro da perda de filhos e pais. Vidas não tem preço.

Itajaí, em Santa Catarina; Trizidela do Vale, no Maranhão; São Luiz do Paraitinga e Franco da Rocha, em São Paulo; Teresópolis, Petropólis e Itaipava, no Rio de Janeiro; Ouro Preto, Guidoval e Divinópolis, em Minas Gerais e Manaus para citar as enchentes, deslizamentos e desmoronamentos mais recentes e não ter que falar de todas as tragédias registradas na história nos últimos 200 anos.

Mais do que dar conselhos sobre procedimentos para o período chuvoso seria bem o caso de fiscalizar e punir quem libera áreas sem a devida preparação para ocupação por pessoas.

Ocupação irregular aliás é o que fazemos desde há muito tempo, uma visão míope de progresso, de resultados falíveis e de curto prazo que são esquecidos pela maioria em trinta dias e que terão que ser refeitos na próxima chuva.

Você deve estar se perguntando: - Mas e a dinamite e os caixas eletrônicos?

Eu até já tentei procurar pontos de venda de dinamite, mas não encontro. Até olhei detidamente algumas operações de reabastecimento de caixas eletrônicos e a segurança é tanta que continuo sem entender como acontecem tantos, todos os dias e do mesmo jeito e quase não vejo autores presos.

Deve ser porque toda a estrutura de poder está ocupada com a Copa do Mundo e as Olimpíadas ou com as próximas eleições. Pode ser..... Não tinha pensado nisso.

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