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Ano: 2018 | 17 | 16 e anteriores

domingo, 6 dezembro, 2015 - 12h16

Cine It vai ao chão e Centro Histórico ganhará um .....supermercado

Uma cidade como Uberlândia, precisa pensar seriamente se o modelo de progresso a seguir é o de São Paulo, do Rio de Janeiro ou o do bom senso. Temos espaço de sobra para não cometermos os mesmos erros

Este artigo tem duas partes, o prólogo para situar a questão do título e o assunto dele especificamente. E vai ficar em aberto para novas informações e contribuições. Inclusive ao contraditório.

Já falei aqui do abandono da Estação Sobradinho e do fim inglório da casa de Dona Adélia França e sigo alertando para o fato que cidades não precisam crescer, mas evoluir, o que é bem difícil num país com a mentalidade do Brasil.

Também me preocupa muito a desconexão das pessoas com a linha do tempo de uma comunidade, que causa perda de identidade e de vínculo com o local onde se vive.

Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, com arquiteturas belíssimas do tempo do Império e de antes pela própria ocupação, desde os primórdios da colonização, perderam suas características originais e ganharam imensos problemas sociais e de infraestrutura.

Reprodução do Google Mapas
Fachada dos prédios que abrigaram o Cine It na praça Clarimundo Carneiro | Imagem: Reprodução do Google Mapas
Fachada dos prédios que abrigaram o Cine It na praça Clarimundo Carneiro

Uberlândia não foge à regra, já se perpetraram por aqui verdadeiros descalabros em nome do progresso.

O maior aconteceu na década de 80, quando um prefeito declarou em alto e bom som que iria tombar o Fundinho, bairro central de Uberlândia que remonta ao tempo da fundação da cidade.

Da noite para o dia a marreta comeu solta e dezenas de exemplares da arquitetura do início da cidade foram para o chão ou tiveram suas fachadas desfiguradas profunda e permanentemente.

Fruto da falta de informação, todos pensaram que íam perder seus imóveis. Sobrou muito pouca coisa. O tombamento é o reconhecimento do valor histórico, artístico ou cultural de um bem, que o transforma em patrimônio oficial e institui regime jurídico especial de propriedade por algum órgão que tem essa atribuição. O termo faz referência ao arquivo público português, a Torre do Tombo.

Reconheço que a burocracia e as responsabilidades que recaem sobre o imóvel, não combinam muito com o padrão cultural e financeiro do brasileiro. Naquela altura, quase todos na mão de herdeiros, bateu o desespero de ficar sem a única fonte de renda na hipótese de não poder vender ou de construir no local.

O mais grave aconteceu antes, em 1943, quando um outro prefeito achou de demolir a então Igreja Matriz, cuja história começara um século antes e razão fundamental para o nascimento da cidade que conhecemos hoje e que ganhou nova forma em 1861, para construir a nova rodoviária da cidade, que funcionou até meados de 1970 para então virar Biblioteca Municipal.

Cine It vai ao chão

©Marthie Salander (cortesia)
Processo de demolição dos prédios que abrigaram o Cine It na praça Clarimundo Carneiro | Imagem: ©Marthie Salander (cortesia)
Processo de demolição dos prédios que abrigaram o Cine It na praça Clarimundo Carneiro

Com o mesmo argumento (leia no link logo abaixo) usado para as demolições da casa Adélia França e outras pela cidade, foi ao chão o conjunto formado por três lojas no Centro Histórico de Uberlândia, a praça Clarimundo Carneiro, onde encontram-se o Museu Municipal, que no passado abrigou a Câmara Municipal, o Coreto, a Oficina Cultural que outrora abrigou a Cia. Prada de Eletricidade, a primeira do município. Na oportuna e excelente matéria do Jornal Correio, o novo proprietário declara "Era um antro de prostituição e consumo de drogas. Vamos trazer renda e emprego, revitalizar aquela área da cidade".

Um supermercado que é o que se está aventando, na praça mais simbólica do município vai trazer barulho, caminhão de entrega, acúmulo de lixo, excesso de trânsito que já é muito denso e degradação ambiental. Ou seja, o "transtorno" que era da parede para dentro, vai em outro formato, instalar-se do lado de fora.

Uma coisa é crescer outra é evoluir. A praça Clarimundo Carneiro, merece mais atenção do Poder Público e mais cuidado com a liberação de obras exatamente para preservar o bem mais importante que está no centro da praça.

A legislação para os "demolidores" da madrugada, sem alvará, sem projeto, precisa endurecer e ser proporcional ao dano local que acarreta, ninguém é dono da cidade, todos são donos e fazer o que bem entende só porque tem dinheiro é próprio daquela personagem da TV: "Tô podendo". A mesma matéria refere que a demolição foi embargada por falta de alvará, mas o trator seguiu derrubando no fim de semana. A multa para quem não segue o caminho legal deve efetivamente desestimular o candidato a infrator. Vamos pedir a revisão da lei.

Os poucos remanescentes históricos da cidade precisam de tratamento diferenciado, precisam de zêlo redobrado das autoridades e é nesses lugares que a história e as tradições da cidade devem ser mostradas e contadas. Os prédios do antigo Cine It fazem divisa com a antiga sede da Prefeitura e com um outro imóvel assobradado com arquitetura de época.

Estrago feito, cabe à Prefeitura pedir medida compensatória antes de aprovar um projeto que tenha como vizinhança qualquer valor histórico, como se pede quando há adensamento de tráfego.

Do Ministério Público que interceda para aprimorar a legislação pertinente ao entorno do patrimônio histórico.

Câmara Municipal e Prefeitura para o mesmo fim.

A cidade agradece.

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