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Instituto Eu Quero Viver
 
segunda-feira, 4 julho, 2011 11:47

A desindustrialização do Brasil nas mãos do BNDES

 
 

Nos últimos dias, a notícia em torno da pretensa fusão do Grupo Pão de Açúcar com o francês Carrefour ganhou destaque em toda a grande mídia. Até aí tudo bem.

Agora, impossível conceber é a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) nessa operação retirando recursos de apoio ao crescimento industrial e de infra-estruturas de que tanto precisamos, disponibilizando R$ 4,5 bilhões dos R$ 5,6 bilhões necessários para sacramentar o negócio.

“Brasileiros e brasileiras”, sou empresário da indústria de pequeno porte ou de médio porte (depende de quem nos analisa – para o Sebrae sou médio pelo número de empregos gerados, já as instituições bancárias me classificam pequeno pelo faturamento) - mas, enfim, nós empresários da indústria estamos no meio de um problema gigante!

No Brasil de hoje se festeja a escolha do país para sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Comemoram-se ainda os fatos de termos saído incólumes da crise financeira mundial - inverídico por mim - e a perspectiva de que a economia continue crescendo. Tudo isso é positivo, mas o país ainda possui deficiências estruturais que precisam ser atacadas agora e pra já!

Vejam, por exemplo, o que está acontecendo na indústria. O país corre o risco no momento de se transformar apenas em um grande revendedor de produtos tecnológicos e assim entrar num processo de desindustrialização. Basta observar que temos importado muito mais produtos com alguma tecnologia agregada do que exportado.

Atualmente, o déficit de tecnologia do Brasil cresce assustadoramente, caminhando para ultrapassar os US$ 100 bilhões em 2011. Muitas fábricas - de chips a eletroeletrônicos - abriram mão de parte de sua produção. Se antes fabricavam o produto ao longo de todo o processo, agora importam, principalmente da China, parte de seus componentes. O motivo todos sabem: preços mais baixos que os produzidos aqui.

Os asiáticos tiram proveito da decisão de empresários ocidentais que preferem terceirizar a produção para ficar apenas com a parte que "agrega valor" às suas marcas. Por conseguinte, empresas varejistas importam dos chineses por centavos e vendem por centenas de dólares, interessados apenas no lucro imediato e a qualquer preço, mesmo ao custo do fechamento de indústrias no Brasil e de brutal desemprego (não aparente ainda).

O problema é que essa atitude não agrega valor, muito menos ao Brasil, um país que tem muito a fazer para conquistar espaço no mercado mundial e está longe de oferecer aos brasileiros, de todas as classes sociais, condições de vida comparáveis às de países classificados como de primeiro mundo (isto porque tem segurança eficiente, sistema de saúde e educacional dos melhores, e outros…).

Enquanto empresários brasileiros terceirizam as táticas para ganhar no curto prazo, a China assimila essas táticas, cria unidades produtivas de alta performance e vai dominar o mercado de produtos de massa no longo prazo. A substituição da produção local pela importação de produtos chineses - sejam eles componentes ou mercadoria acabada – ocasionará futuramente o sucateamento do parque industrial brasileiro.

A verdade dos números serve de exemplo: enquanto uma fábrica brasileira produz um milhão de unidades do produto X, uma só fábrica chinesa produz quarenta milhões de unidades. A qualidade dos dois se equivale, mas a velocidade de produção e do atendimento oferecidos pela China são impressionantes, consequentemente, consegue colocar qualquer produto no mercado, em qualquer canto do planeta, rapidamente, a preços muito abaixo dos praticados aqui. Além disso, a importação dos produtos chineses faz o preço do produto final cair, o que pode ser bom para o consumidor, mas é péssimo para o trabalhador brasileiro que, ao final, perde seu emprego para um trabalhadorchinês. É perceptível que em nosso país, o grande número de empregos gerados vem ocorrendo em setores de produtos com baixo valor agregado, ou seja, onde se contrata mão de obra barata e de baixa qualificação.

Recebemos só neste primeiro trimestre de 2011 investimentos da ordem de US$ 17,5 bilhões, o que na verdade não se reflete em ganhos em tecnologia já que o déficit, nesse setor, não para de crescer. Porém, parte desse capital estrangeiro investido no país chega atraída pelos jurosaltos. E a fatia destinada para a instalação de fábricas acaba sendo prejudicial ao Brasil: são empresas que importam componentes e produtos acabados - ou seja, são apenas montadoras e maquiadoras de produtos. É esse modelo que precisa ser revisto. Dessa forma, enquanto a China e demais países asiáticos vão aumentando o poder econômico, países como o Brasil seguem rumo à dependência e queda de competitividade.

Portanto, o resultado desse modelo é desastroso. Num ranking global de competitividade, que mede o ambiente de negócios de uma nação, o Brasil - a oitava economia do mundo - ficou em 44º lugar, perdendo seis posições em relação ao levantamento do ano passado. Fomos ultrapassados por países como Peru, Filipinas, Turquia e Emirados Árabes. Oestudo foi feito numa parceria entre o Instituto Internacional para o Desenvolvimento da Administração, da Suíça, e a Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais.

Tudo é um ciclo vicioso, pois quanto mais se importam produtos de tecnologia agregada, menos se necessita da mão de obra especializada, colocando assim os jovens brasileiros qualificados em um dilema difícil: ou se sujeitam a ficar no país em funções aquém de sua capacidade ou vão buscar alternativas fora. Esse cenário pode até delinear a perspectiva de o Brasil se tornar um país importante, entre as cinco maiores economias do mundo, mas sem liderar, no entanto, o seu próprio desenvolvimento tecnológico.

Ao final, é isso que queremos? Certamente que não.
Mas aí vem o BNDES e direciona importantes recursos para bancar uma fusão de rede varejista ao invés de financiar a Indústria Nacional. Isso é inconcebível diante de tudo que precisamos fazerpara desonerar o setor industrial, seja em taxa de juros para investimentos e/ou capital de giro, tributos ou custo de mão de obra.

Será que vamos mais uma vez ficar de braços cruzados vendo isso acontecer sem nada fazer? Francamente, espero que não. Vamos levantar a voz por meio de emails, torpedos, artigos, twitters, comentários em blogs, etc. Nos ajudem a manter o Brasil industrializado, gerando cada vez mais empregos de valor e renda para a população.

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Pedro Lacerda é empresário e presidente da Fiemg Regional Vale do Paranaíba
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