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sexta-feira, 16 janeiro, 2009 16:12

Viajantes protegidos

 
Anvisa
Estudo feito na FMUSP alerta para a importância da vacinação em pessoas que se deslocam com frequência, mesmo dentro do país

Um estudo feito no Ambulatório dos Viajantes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) alerta para a importância da vacinação em pessoas que viajam com frequência, mesmo dentro do país.

Os resultados apontam que apenas 34,6% daqueles que procuraram o serviço médico de orientação pré-viagem oferecido pelo ambulatório no período analisado estavam com as vacinas de rotina em dia. A pesquisa analisou o perfil dos pacientes, a situação vacinal e as vacinas recomendadas.

Para Marta Heloisa Lopes, professora associada do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da FMUSP e uma das autoras do estudo, falta atenção e informação sobre a importância do tema.

Segundo ela, poucos países têm normas bem estabelecidas para vacinação de viajantes, mesmo entre os mais desenvolvidos. Mas é provável, aponta, que no futuro breve isso se modifique, em decorrência da globalização e da facilidade de transporte, que facilitam a disseminação de doenças infecciosas.

“No Brasil, a maioria dos adultos jovens está com vacinas de rotina desatualizadas. A preocupação com a vacinação de adultos é mais recente, antes era focada quase exclusivamente na vacinação da criança”, disse à Agência FAPESP.

Os resultados do estudo foram publicados na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, em artigo assinado por Marta Heloisa, Simone Chinwa Lo, Melissa Mascheretti e Tânia do Socorro Souza Chaves, todas da FMUSP.

A pesquisa, realizada entre 2003 e 2006, analisou o perfil de 445 viajantes. Desse universo, 51% viajavam a trabalho e 39,5% por lazer. Os destinos mais procurados foram África (47%), Ásia (31,7%) e América do Sul (21,4%).

De acordo com Marta Heloisa, a orientação pré-viagem foi importante não só para indicar as vacinas recomendadas para a viagem, mas também como oportunidade para atualização das vacinas de rotina.

O resultado mais importante do estudo, afirma, é chamar atenção para o assunto. A pesquisadora destaca que, apesar da deficiência de laboratórios de vacinação para viajantes no país, de modo geral não há falta de vacinas no Brasil.

“Algumas vacinas específicas para viajantes podem não estar disponíveis, mas este é um problema secundário. Além de ter mais ambulatórios de viajantes, o clínico geral bem informado poderia também passar essas orientações. O que falta é atenção e informação”, afirmou.

Entra e sai
O estudo mostrou que 385 (86,5%) viajantes tiveram indicação de vacinação para viagem, com destaque para febre tifóide (55,7%), difteria-tétano (54,1%), hepatite A (46,1%), hepatite B (44,2%) e febre amarela (24,7%).

A pesquisadora ressalta que tão importante quanto a vacinação dos viajantes deve ser o controle dos viajantes estrangeiros que entram no país. “Principalmente daqueles provenientes de regiões onde estejam ocorrendo casos de doenças que não são mais detectadas no Brasil, como poliomielite, por exemplo”, disse.

Segundo Marta Heloisa não existe uma preocupação com uma região em particular, uma vez que cada região no Brasil tem características específicas e “todas merecem atenção em relação a viagens”.

“Também não acho que deveria haver um calendário de vacinação para quem viaja mais. Deve haver sim um trabalho educativo para que as pessoas se conscientizem de que precisam tomar alguns cuidados preventivos – que não incluem só vacinação – quando forem viajar”, afirmou.

Para ela, frequentemente os viajantes não recebem orientação e viajam sem terem recebido as vacinas necessárias. “Mesmo quando procuram orientação muitas vezes o fazem pouco tempo antes da viagem, condicionando o uso de esquemas vacinais alternativos e incompletos.”

Para ler o artigo Vacinação dos viajantes: experiência do Ambulatório dos Viajantes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Por Alex Sander Alcântara | Agência FAPESP


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