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segunda-feira, 2 março, 2009 13:57

Energia que vem do alto

 
Eduardo Cesar
Ian Forbes, da Universidade de Northumbria, no Reino Unido, destaca o potencial e os desafios para os próximos anos da pesquisa em energia solar

Partindo do princípio de que, em uma hora, há mais energia solar incidindo sobre a Terra do que toda a energia consumida pelas diferentes formas de vida do planeta em um ano, o homem precisa, mais do que em qualquer outra época, encontrar melhores maneiras de captar, armazenar e usar esse grande potencial energético de forma rentável.

O raciocínio foi compartilhado pelo professor Ian Forbes, do Northumbria Photovoltaics Applications Centre da Universidade de Northumbria, no Reino Unido, com diversos especialistas em energias renováveis e mudanças climáticas presentes no segundo dia do Workshop on Physics and Chemistry of Climate Change and Entrepreneurship.

Em sua palestra durante o evento, encerrado na sexta-feira (27/2), na sede da FAPESP, na capital paulista, Forbes abordou o potencial e os desafios para os próximos anos da pesquisa em energia solar fotovoltaica, que promove a conversão direta da luz do sol em eletricidade por meio da junção de semicondutores que absorvem a radiação.

O pesquisador destacou que o uso da energia fotovoltaica tem crescido rapidamente, impulsionado por diferentes mecanismos de suporte ao mercado, ainda que esse crescimento esteja muito abaixo do esperado. Apesar de a produção de energia elétrica em todo o mundo por meio de células fotovoltaicas ser de apenas 3 gigawatts em 2007, isso representou um aumento de 55% sobre a produção registrada no ano anterior

“Calcula-se que todos os continentes tenham a capacidade de suprir uma demanda de aproximadamente 18 terawatts de eletricidade, e o Brasil está incluído nessa estimativa, com uma capacidade de 200 a 250 watts por metro quadrado, um potencial extremamente elevado”, apontou.

No Brasil e em outros países da América do Sul, onde os níveis de incidência solar são maiores do que nos países da Europa, são grandes as oportunidades no setor, por isso, o especialista sugeriu que a capacitação tecnológica e industrial em território nacional comece a ser desenvolvida imediatamente para não perdê-las de vista.

“O Brasil tem o dobro dos níveis de insolação da Alemanha, país que abriga o maior mercado no mundo desse tipo de energia por produzir mais de 40% de sua eletricidade a partir de fontes fotovoltaicas. Mas os principais desafios que ainda devem ser vencidos são a redução de custo da energia fotovoltaica e o aumento da eficiência dos materiais, visando à sustentabilidade a longo prazo”, disse Forbes.

Estratégia européia
A União Européia, que, segundo Forbes, abriga os países que mais dispensam esforços nessa área em termos de pesquisa e desenvolvimento, em um primeiro momento trabalhava com a meta de substituir 4% da eletricidade mundial pela energia fotovoltaica até 2030, mas agora os países do bloco econômico e político estão redefinindo essa previsão para atingir novas metas até 2020.

“Em congressos realizados na Europa, especialistas estimam que, até 2020, a energia solar fotovoltaica poderá suprir mais de 90% da demanda por electricidade no continente”, disse. E uma demanda de pelo menos 12%, calcula, seria suprida de imediato com as tecnologias disponíveis atualmente, como os painéis para a captação de energia solar feitos com células de silício cristalino.

Após apresentar parte de seus estudos com dispositivos fotovoltaicos que utilizam filmes ultrafinos, produzidos a partir de materiais a base de elementos como cobre, índio e selênio, o professor da Universidade de Northumbria citou a agenda estratégica elaborada pela União Européia, intitulada “A strategic research agenda for photovoltaic solar energy technology”, cujo arquivo em PDF pode ser baixado na internet.

“Esse documento faz o delineamento de tecnologias fotovoltaicas disponíveis atualmente na Europa e propõe caminhos para novos desenvolvimentos nos próximos anos”, explicou.

“As tecnologias solares fotovoltaicas estão inseridas em um mercado multimilionário das energias renováveis e, para que seus potenciais benefícios não sejam deixados de lado, esse é o momento dos países se prepararem para participar desse mercado no futuro”, disse.

O Workshop on Physics and Chemistry of Climate Change and Entrepreneurship, que integrou as atividades da Parceria Brasil-Reino Unido em Ciência e Inovação, foi promovido pela FAPESP em conjunto com o Institute of Physics (IOP) e com a Royal Society of Chemistry (RSC), como parte das atividades do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.

Por Thiago Romero | Agência FAPESP

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