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Instituto Eu Quero Viver
domingo, 14 abril, 2013 15:25

O preço do feio e do bonito é o mesmo

Glaucio Henrique Chaves
Rua Dr. Afrânio esquina com Quinca Mariano em Araguari - MG

Um metro quadrado de parede mal feita, custa o mesmo que um metro quadrado de parede bem feita. Um metro quadrado de parede cheia de detalhes, retém o olho do observador, alimenta memórias emocionais, desperta emoções, ao passo que uma parede reta, desprovida de qualquer atrativo, por mais bem feita que seja, será apenas uma parede.

E se essa parede cheia de detalhes tiver uma história, que possa encantar os ouvidos, que faça com que as pessoas sintam-se pertencendo ao local, vão com certeza gostar de passar por ela inúmeras vezes, vão se lembrar dela com carinho, vão vibrar uma energia positiva, vão valorizar tudo que a ela estiver associado.

Araguari, entre tantas outras cidades, ainda possui belíssimos exemplares de construções que marcaram seu nascimento e seus primeiros anos de vida. E infelizmente, como tantas outras cidades desse Brasil, gente disposta a passar o trator nessas maravilhas arquitetônicas, chamando isso de progresso.

Mentira. Progresso, simplificando, é um conceito que indica a existência de um sentido de melhorar a condição humana. Melhorar, passa pela valorização da história, das pessoas, dos lugares e respeito pelo esforço daqueles que chegaram antes, com muito menos condições e trataram de lançar fortes alicerces para garantir perenidade.

Na esquina das ruas Dr. Afrânio com Quinca Mariano, a obra original do Coronel José Ferreira Alves, empreendedor do início do século 20, enfeita aquele pedaço da cidade e avisa que Araguari tem história. Meu prezado amigo Glaucio Chaves enviou-me fotos autorais muito bonitas do casarão em outros tempos e adiantou-me que algumas pinturas murais originais ainda resistem. Não é apenas um casarão é parte importante da história da cidade.

Se os araguarinos deixarem, a bela construção de estilo eclético, prestes a completar 90 anos, numa cidade que tem 124, vai para o chão. E nisso reside o maior perigo, pois quando a história se perde, as gerações futuras crescem desconhecendo, sentem-se desenraizadas e descompromissadas com o berço e talvez aí repouse a base da violência urbana dos dias de hoje.

A cidade é de todos, mas só se todos tiverem consciência disso.

Eu, por natureza e formação, tenho um profundo respeito pelo patrimônio alheio e portanto só posso desejar que o atual proprietário, combine seu potencial para os negócios com a preservação da história e veja que pode ganhar duplamente, transformando a bela esquina num ponto de referência na cidade e atraindo gente para ver de perto o passado e o presente reunidos em harmonia.

Caso contrário, vai ser eternamente lembrado como um lugar onde “antes existia”, onde “um dia foi”, algo extremamente danoso para os negócios e que se ouve muito por aqui. As pessoas não esquecem e não perdoam. O inventário do imóvel está aqui (pdf 1,1 mb)

Que sirva de exemplo
Há 15 dias, tomei conhecimento de um grupo que luta bravamente pela restauração da Estação Ferroviária de Cachoeira Paulista, interior de São Paulo, um prédio tão bonito, como o maravilhoso Palácio dos Ferroviários, que tanto embeleza a cidade e orgulha os araguarinos. O curioso é perceber que a mesma saga do Vale do Paraíba se desenrolou também pelo Triângulo Mineiro e tal qual Cachoeira Paulista, Araguari fica no encontro de duas ferrovias. Lá o café imperou, aqui o café impera. Boas coincidências.

Lá como cá, é a memória dos pioneiros que se busca preservar e isso fortalece o caráter e o senso de pertencimento tão necessário a todos nós brasileiros que nos envergonhamos das mazelas estampadas nos jornais.

Lá como cá, é a história de gente que pisou no barro, que viu fortuna onde só havia mato e que nós temos a obrigação de respeitar, pois assim fazendo respeitamos a nós mesmos.

Araguari tem excelentes arquitetos, competentíssimos na solução de conciliar o antigo e o moderno e que não encareceriam a obra a ponto de inviabilizá-la. Conferindo-lhe ainda mais valor.

Disse eu no artigo acima citado:

“A sua cidade tem uma história, de homens e mulheres que chegaram quando tudo era barro e mato, um verdadeiro mistério. E desse barro e desse mato, construíram vida, geraram riqueza. Os nomes que você lê nas placas das ruas, os monumentos empoeirados das praças e o casario antigo que sobrou são o alicerce, o futuro deles que sustenta o seu presente”.

Ninguém tem o direito de lançar fora o que quer que seja que nos ligue ao começo das coisas. Em respeito a todos aqueles, desde o major do Córrego Fundo ao empenho do padre Lafayette e sob as bençãos do Senhor Bom Jesus da Cana Verde do Brejo Alegre, aos cidadãos de hoje para que Araguari siga o seu destino.

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