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Instituto Eu Quero Viver
sábado, 7 novembro, 2015 - 21h37

Bento Rodrigues muito além do desastre

O desastre aconteceu dia 5 de novembro, a tragédia não tem data para acabar. Os mortos, as perdas materiais, ambientais, a história e o transtorno não podem ser medidos em números. Estatísticas não recuperam vidas.

   

O rompimento das barragens de Fundão e Santarém, da mineradora Samarco, inundou o distrito de Bento Rodrigues com lama, rejeitos sólidos e água usados no processo de mineração.

A sociedade, as autoridades e a empresa mobilizados tem pela frente um árduo trabalho de reconstrução e o desafio de lidar com o inegável estrago ambiental que esse evento provocou.

A parte mais importante é um processo de conscientização de cada brasileiro no sentido de que acontecimentos desse tipo parem de ocorrer.

Antonio Cruz/Agência Brasil
Mariana (MG) - Área afetada pelo rompimento de barragem no distrito de Bento Rodrigues, zona rural de Mariana, em Minas Gerais (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Mariana (MG) - Área afetada pelo rompimento de barragem no distrito de Bento Rodrigues, zona rural de Mariana, em Minas Gerais

Se puxarmos da memória vamos encontrar em 1967 o isolamento de Caraguatatuba em São Paulo, o Morro do Bumba na região serrana do Rio de Janeiro, os transbordamentos do rio Itajaí-Açu em Santa Catarina, lugares onde uma série de fatores e chuva, provocaram soterramentos e muitas vidas perdidas. Nos últimos 30 anos, Minas Gerais assistiu alguns desmoronamentos provocados pela atividade de mineração. Só para citar alguns exemplos.

Ocupação desordenada dos espaços e interferência humana feitas sem o devido cuidado, desconsiderando que água de morro abaixo ninguém segura e que fundo de vale sempre alaga.

O palavreado técnico, as entrevistas e declarações, agora se suscedem. O Ministério Público, instaura inquérito civil público para apurar rompimento das barragens. A direção da mineradora informa que está dando todo apoio para moradores e colaborando com as autoridades. O Governo de Minas organizou um grande aparato num pool de secretarias e órgãos para atender a população atingida. O Governo Federal também disponibiliza recursos e linhas de crédito e é uma grande atividade burocrática e legal para que a máquina se movimente.

A quantia gasta não pode ser precisada e deve sem sombra de dúvida alcançar a casa dos milhões. A catástrofe ambiental, mudanças no pH do solo, o assoreamento dos rios da região e do rio Doce, esse já passando por um grave processo de seca e inúmeras desordens ambientais; a interrupção do dia a dia de milhares de pessoas em Minas e no Espírito Santo. Tudo grandioso, lamentavelmente grandioso.

Uma hidrelétrica parada e o serviço de tratamento de água interrompido em diversas cidades.

Um evento dessa magnitude vai repercutir longe e para sempre na vida daqueles que foram diretamente atingidos. Vai durar muito tempo na vida de cada comunidade que estiver no caminho. Umas vão se recuperar em alguns meses, outras em anos, outras em décadas.

Bem provável que normas técnicas sejam revistas, mas no calor dos fatos, dificilmente vai promover a resiliência que sempre falta no Brasil. Fazemos de qualquer jeito e só quando dá M...a é que o pessoal se mexe.

Fazemos isso com a saúde, com a educação, com o transporte coletivo, nos programas habitacionais. Sempre com muita pompa na inauguração, esquecendo que evolução precisa de manutenção diária, constante.

Nossa lógica mercantilista, muito assemelhada aos procedimentos dos colonizadores, não evoluiu para um capitalismo sadio, nem para uma justiça social permanente.

O fantasma do coletor de impostos ainda ronda por essas plagas, levando os quintos e nos legando o inferno.

Bento Rodrigues é muito mais antiga que a atividade mineradora, foi destruída quase na totalidade, muito além das casas, das galinhas, das compotas de pimenta. O que se perdeu ali foi imaterial, a ligação das pessoas, as tradições, as conversas dos amigos, um pedaço da história de Minas e do Brasil.

A atividade mineradora não vai parar, o poder econômico é muito grande, mas a sociedade como um todo pode exigir as mais extremas medidas de segurança para a certeza de que não haja ninguém no caminho de um desastre possível.

E definitivamente não deixar que os desastres caiam no esquecimento. Não tem lógica espantar-se mais de uma vez com a mesma coisa. E temos feito isso desde muito tempo.

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