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Instituto Eu Quero Viver

sexta-feira, 17 julho, 2009 18:58

Carlos Minc anuncia os primeiros projetos do Fundo Amazônia

 
Antonio Cruz / ABr
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, faz palestra sobre Meio Ambiente na 61ª Reunião Anual da SBPC
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61ª Reunião Anual da SBPC

O Brasil mudará seu papel de “vilão”, desempenhado nos últimos painéis internacionais de discussão sobre mudanças climáticas, para o de “mocinho” na próxima Conferência do Clima, que será realizada em dezembro deste ano em Copenhague, na Dinamarca.

A mudança será devido ao auxílio de diversos atores coadjuvantes – os cientistas brasileiros -, que trabalharam intensamente para a elaboração de um plano nacional de mudanças climáticas, para fixar metas de redução da emissão de gás carbônico e para a criação do Fundo Amazônia. A avaliação foi feita pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, na abertura da conferência que proferiu nesta quinta-feira (15/07), na 61ª Reunião Anual da SBPC, em Manaus (AM).

“Nós fizemos questão de homenagear o trabalho da SBPC e dos cientistas brasileiros na questão climática garantindo o assento da Sociedade no comitê orientador dos projetos do Fundo Amazônia, com direito de voz e voto. Porque sabemos que não resolveremos o problema do desmatamento da Amazônia só com polícia e o Ibama. Se não tivermos alternativas científicas e tecnológicas para o desenvolvimento da região, com baixo impacto ambiental, estamos sem saídas”, disse.

O ministro anunciou que serão aprovados nas próximas duas a três semanas os cinco primeiros projetos aprovados no âmbito do Fundo Amazônia, lançado no ano passado para captar e investir recursos para combater o desmatamento e promover o desenvolvimento sustentável da região amazônica. Os primeiros contemplados com investimentos do Fundo na Amazônia são programas de pagamento por serviços ambientais, realizados pelo próprio governo, além de outros conduzidos por instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e o Museu Emilio Goeldi, no Pará.

Controle do desmatamento - Conforme anunciou no início do mês passado, o ministro voltou a afirmar que o índice de desmatamento da Amazônia será o menor dos últimos 20 anos. E creditou à façanha a um conjunto de fatores, como o aumento do controle por monitoramento por satélites e a ações de combate ao crime ambiental, entre outras iniciativas. Mas manifestou sua discordância da tese defendida por críticos a política brasileira para o meio ambiente de que o Brasil representa uma grande unidade de conservação, cujos recursos naturais são, na opinião dos críticos, excessivamente protegidos. “Se tivéssemos tanta proteção, não teríamos um aumento tão grande do número de espécies ameaçadas em extinção como vem ocorrendo nos últimos anos. E isso aconteceu por causa das monoculturas, das queimadas e expansão da agropecuária”, rebateu.

De acordo com Minc, grandes monoculturas, como a da soja, deixaram de ser um fator relevante para o desmatamento da Amazônia nos últimos anos em função de acordos articulados pelo ministério com o setor moageiro, como a “moratória da soja”. Por intermédio dessa ação, grandes empresas processadoras da oleaginosa se comprometeram a não comprar grãos cultivados em áreas desmatadas.

O ministro afirmou que acordos semelhantes à moratória da soja estão sendo negociados com outros setores, como o madeireiro, cujos representantes se comprometeram a comprar e exportar madeiras oriundas de planos de manejo legais. Porém, indicou que o setor econômico que também contribui para o desmatamento da Amazônia e está mais fora de controle na região é o agropecuário.

“Os frigoríficos não desmatam, mas compram carne de desmatadores. Tentamos celebrar um acordo similar ao da soja e da madeira com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiex), e eles responderam que não era possível por causa da crise. Na época eu alertei que eles corriam o risco da crise e de serem boicotados pelo mercado. Não deu outra”, contou, se referindo à recente ação movida pelo Ministério Público e ONGs ambientalistas, que exigiu que as redes de supermercados deixassem de comprar a carne de gado criado em áreas desmatadas no Pará fornecida por grandes frigoríficos.

Amanhã o ministro participará em Curitiba do lançamento mundial do “Certificado Life da biodiversidade”, uma certificação que atesta que os produtos fabricados por uma determinada empresa em toda sua cadeia produtiva não causam efeitos negativos na biodiversidade e produzem impactos mínimos ao ecossistema. Diversas universidade e institutos de pesquisa, de diversos lugares do mundo, se juntaram para conceder a certificação. “Isso mostra como as áreas científica e tecnológica podem dar um importante apoio não só na proteção, mas também na indução para que as empresas cada vez mais adotem tecnologias mais limpas e procedimentos menos predatórios”, disse.

Professor do curso de geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e com uma tese de doutorado sobre a região amazônica, em que comparou os processos de ocupação territorial dos estados do Pará e de Rondônia, Minc encerrou a conferência, intitulada “Biodiversidade e sustentabilidade”, com “saudações ecológicas e libertárias”. O que o presidente da SBPC, Marco Antonio Raupp, complementou com “e saudações científicas”.

Por Elton Alisson, da Assessoria de Imprensa da SBPC, para a Agência SBPC


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