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  Prof. José Goldemberg  

Essencial é chegar a um acordo antes que o Protocolo de Kyoto se esgote, diz José Goldemberg

quinta-feira, 17 dezembro, 2009 10:57

José Goldemberg, presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio e consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, fala sobre a COP 15, a proposta brasileira de diminuição das emissões de carbono, o papel do setor privado nessa questão e a contribuição, em recursos, dos países em desenvolvimento para os programas sustentáveis

A conferência sobre o clima em Copenhague (COP 15) entra na reta final sem apresentar avanço nos dois pontos fundamentais para um acordo sobre a redução de emissão de poluentes: metas maiores e mais rígidas para países ricos e financiamento de programas ambientais para países em desenvolvimento.

O físico José Goldemberg, presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio, comenta a criticada proposta brasileira de diminuição das emissões poluentes, da possível contribuição dos países em desenvolvimento para o financiamento de programas sustentáveis e da importância do setor privado nas ações que deverão ser tomadas mais adiante.

A COP 15 ainda não apresentou nenhum avanço significativo nas discussões climáticas, o senhor acredita que isso possa mudar até o final da conferência?

Goldemberg: De fato, parece difícil resolver os problemas básicos com que a Conferencia de Copenhague se defronta até o fim da semana. O problema fundamental é preservar o Protocolo de Kyoto (o que é desejado pelos países em desenvolvimento, principalmente os africanos, que não exige deles nenhuma ação para reduzir as emissões) ou adotar um novo Protocolo, que aumente as ações exigidas dos grandes países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil (posição defendida pelos Estados Unidos e europeus). A presença dos chefes de Estado pode levar a um acordo político empurrando o problema para 2010, mas não mais que isso.

Qual a sua análise sobre a proposta brasileira de diminuição das emissões depoluentes, que por sinal está sendo bastante criticada?
Goldemberg: Fraca. Essa proposta foi preparada para tentar mostrar que o Brasil poderá fazer muito até 2020, mas os números não são sólidos e não foram bem recebidos em Copenhague.

Os países em desenvolvimento deveriam contribuir com recursos para o financiamento de programas sustentáveis?

Goldemberg: Os mais avançados, como a China e Brasil, poderiam ajudar os países mais pobres. O Brasil empresta recursos e investe em vários países do mundo através do BNDES, na construção de estradas e usinas elétricas. Por que não financiar programas sustentáveis?

Os países desenvolvidos têm uma parcela maior de responsabilidade no atual nível de poluição. Mas não seria inocência esperar que, além de cumprir suas próprias metas, eles arquem com os custos para que outros países desenvolvam técnicas de desenvolvimento sustentável? Não seria mais aceitável destinar parte dos recursos das vendas de carbono para o fundo de financiamento destes projetos?
Goldemberg: Pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, isto é exatamente o que acontece: um país industrializado, como o Japão, investe num projeto no Brasil que leve à redução das emissões, e com isso recebe créditos de carbono que utiliza no próprio Japão para mostrar ao Governo que está contribuindo para as reduções de emissões. O que se propõe em Copenhague é manter e expandir este Mecanismo.

Os países em desenvolvimento deveriam ceder aos desejos dos Estados Unidos e Japão, por exemplo, para Copenhague não ser um fracasso?
Goldemberg: Não se trata de ceder ou vencer, mas tentar chegar a um acordo. O que os países mais pobres desejam é receber recursos a “fundo perdido” em grande escala. Isto não vai acontecer. As ofertas dos países ricos são modestas.

Qual a importância do setor Privado na redução das emissões de carbono? O papel regulador dos Estados será suficiente para mudar a situação atual, ou representantes desse setor deveriam ser trazidos para a mesa de negociação?
Goldemberg: No fundo, é o setor privado que vai realizar as ações que levam à redução das emissões, e não os Governos que só criam condições para que isto ocorra. Portanto, é útil trazer os empresários para a discussão para evitar a adoção de regras que eles não possam cumprir.

Facilitar crédito ou retirar impostos de empresas que realizam programas de desenvolvimento sustentável, ou ainda sobretaxar empresas que não o fazem. Qual a melhor política?
Goldemberg: Vantagens fiscais (redução de impostos). Em outros países, esta tem sido a política usada para encorajar as empresas a se engajar em programas que levem à redução de emissões.

O que podemos esperar se Copenhague terminar em fracasso?
Goldemberg: Se Copenhague fracassar, haverá uma nova rodada de negociações em 2010. O essencial é chegar a um acordo até 2012, antes que o Protocolo de Kyoto se esgote.

Fischer/Sá Marketing Engineering Group


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