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quarta-feira, 4 fevereiro, 2015 - 9h09

Universidades paulistas criam grupo de trabalho para enfrentar crise hídrica

   
Divulgação/Sabesp
De acordo com o boletim diário da Agência Nacional de Águas (ANA), o Sistema do Paraíba do Sul está com 0,61% do volume útil total, somando Santa Branca, Paraibuna, Jaguari e Funil – os dois primeiros já entraram no volume morto. Ontem (26), o volume total dos quatro reservatórios estava em 0,66%

As seis universidades paulistas de ensino público (UFABC, UFSCar, Unesp, Unicamp, Unifesp e USP) anunciaram hoje (3) a criação de um grupo de trabalho para enfrentar a crise hídrica em São Paulo.

O objetivo é mobilizar pesquisadores das instituições para elaborar projetos e propor ações conjuntas, de modo a lidar com cenários causados por possível racionamento e pela falta d'água a curto, médio e longo prazos.

Entre as ações iniciais do grupo, uma das principais é a criação do Fórum de Reitores das Universidades Públicas do Estado de São Paulo para debater questões estratégicas para a universidade e a sociedade.

O grupo pretende ainda disponibilizar competências das universidades nas áreas de recursos hídricos para os governos municipal, estadual e federal e solicitar informações sobre o volume e a qualidade da água para abastecimento público e geração de energia.

As medidas constam de um documento que também pede a mobilização dos governos municipal, estadual e federal para garantir a imediata liberação de recursos financeiros. O dinheiro servirá para adequação da infraestrutura física e organizacional das instituições públicas e, consequentemente. para redução do consumo de água no desenvolvimento de suas atividades.

De acordo com a reitora da Unifesp, Soraya Smaili, a primeira reunião, na semana que vem, formará o Painel Técnico-Acadêmico Permanente de Recursos Hídricos (PTA-Hidro). O objetivo é produzir informações relativas aos estudos que deverão subsidiar e apoiar os planos de contingenciamento. “As informações que traremos para discussão nas universidades também subsidiarão um plano de educação ambiental que queremos apresentar para os estudantes, pesquisadores e sociedade”, informou Soraya.

Segundo a reitora, a principal preocupação é garantir, além do abastecimento nas próprias universidades, água em instalações que atendem à população, como hospitais universitários, com foco prioritário para o Hospital São Paulo. Nesse hospital, 3,5 milhões de consultas ambulatoriais são feitas por ano. A unidade dispõe ainda dispõe de um pronto-socorro aberto 24 horas, atendendo todas as especialidades. A maior necessidade do momento é saber como o hospital será abastecido no caso de rodízio.

“Traçamos todos os diagnósticos possíveis para continuar atendendo sem interrupção. Medimos a capacidade dos reservatórios e adequamos o sistema de encanamento. Estamos preocupados porque a saúde pública em São Paulo tem dificuldades com a demanda, que aumentou muito, e não queremos descontinuar o atendimento. O hospital é vital para a cidade.”

De acordo com a reitora da Unifesp, as aulas nas universidades não serão suspensas por causa da falta d'água.

Crise hídrica está 25% pior do que a maior seca registrada no Paraíba do Sul

Com o nível dos reservatórios em queda a cada dia, o efeito da estiagem no Rio Paraíba do Sul é o pior já registrado. De acordo com o diretor executivo do Comitê Guandu, Julio Cesar Antunes, que participou hoje (27) da reunião do Grupo Técnico de Acompanhamento de Operações Hidráulicas, a situação está 25% pior do que ficou na maior seca registrada até então.

“A preocupação maior, apresentada em função das previsões, é que estamos vivendo um período de escassez hídrica. Se compararmos com o pior janeiro que tivemos, em 1953, estamos numa situação 25% pior. É uma coisa totalmente diferente e atípica em relação a tudo já monitorado, catalogado e vivido", acrescentou.

Participaram da reunião representantes de órgão federais, de São Paulo e do Rio de Janeiro, ligados às áreas de meio ambiente, gestão de águas e energia. De acordo com o boletim diário da Agência Nacional de Águas (ANA), o Sistema do Paraíba do Sul está com 0,61% do volume útil total, somando Santa Branca, Paraibuna, Jaguari e Funil – os dois primeiros já entraram no volume morto. Ontem (26), o volume total dos quatro reservatórios estava em 0,66%.

Antunes explica que já está sendo feito, há algum tempo, o ajuste da vazão objetiva, em Santa Cecília, onde ocorre a transposição do Paraíba do Sul para o Sistema Guandu. Ele informou que quinta-feira (29) haverá mais uma reunião para avaliar se novas medidas serão necessárias.

De acordo com Antunes, os atores apresentaram as medidas que estão sendo adotadas,, além de um cronograma que vai se consolidar na reunião de quinta-feira. Nesse dia, vai se definir o que pode ser feito para otimizar o uso da água. "Vai ser apresentado um planejamento em cima da avaliação de todos os números. Hoje foram apresentados os números do sistema como um todo e a projeção que temos com relação a esse cenário, já que estamos em um período de estiagem”, ressalvou.

Agência Brasil

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