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segunda-feira, 9 fevereiro, 2015 - 22h29

Rio cria gabinete de emergência para projeto de água de reúso da indústria

   
Shana Reis
Governador Luiz Fernando Pezão em reunião com a ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira

O governo do Rio de Janeiro vai desenvolver um projeto com quatro empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz, na zona oeste, para a utilização da água de reúso na região da Baia de Sepetiba, onde deságua o Rio Guandu.

O secretário de estado do Ambiente, André Corrêa, reuniu-se com representantes das empresas hoje (9) para definir as estratégias. Foi criado um gabinete de emergência que vai se reunir sempre às 14h das quartas-feiras.

Na primeira reunião, que vai ocorrer nesta semana, será analisada a construção de um enrocamento (barreira de pedras) para tentar reduzir a quantidade de sal na água do Rio Guandu, que precisa ser filtrada pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) antes de ser utilizada pelas empresas.

De acordo com o secretário, nesse sistema, são utilizados até 12 metros cúbicos de água por segundo apenas para fazer a pressão e evitar que a água salgada entre nas operações de abastecimento das empresas. “O rio passa e ela capta do rio. Só que tem índices de salinidade que ela não consegue operar, porque a água do mar invade. Então, a gente usa uma água para bater no mar e expulsar. A gente quer parar com isso, porque é um uso irracional”, esclareceu. Corrêa acrescentou que a quantidade usada para reduzir a salinidade representa, em quatro dias, o suficiente para o abastecimento da cidade do Rio. “O Rio de Janeiro precisa de 45 metros cúbicos”, disse.

O secretário destacou que esta será a principal medida de curto prazo e representará uma intervenção emergencial. Ele revelou que o custo e a construção do enrocamento ficarão a cargo das empresas e depois será discutido com elas algum mecanismo de compensação. O secretário explicou que o processo tornaria-se mais lento caso fosse feito pelo governo do estado, que precisa cumprir prazos e passar por avaliações dos órgãos de controle.

“Todos estamos no mesmo barco. O Rio de Janeiro entende que é um momento grave e precisamos tomar decisões. Não vamos só fazer orações. Eu sou uma pessoa de fé, óbvio que eu oro por água, mas tem que ter ações concretas. Esta é a mais importante no momento. Ela vai nos permitir fazer uma poupança de água”, analisou, acrescentando que é preciso economizar pensando no período de seca que vem pela frente. “Não é um pouquinho de chuva a mais ou um pouquinho a menos. Precisamos mudar a nossa forma de lidar com a água e as empresas concordaram com isso. Mesmo fora da crise não dá mais para ficar como antes”.

O gabinete de emergência vai analisar também a necessidade de fazer desapropriações de imóveis que fiquem nos locais das obras, tanto do enrocamento como da construção de uma nova adutora. O prazo das construções também será decidido nos encontros semanais. “Não pode ser mais do que três meses. Estamos analisando isso. Tem que ser uma construção rápida. Já a construção de uma adutora de 14 quilômetros, eles vão escolher os estudos”, revelou.

O secretário disse que depois de definidos os projetos para atender a esta região industrial, ele pretende discutir com a Petrobras a questão do reúso de água para a Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense. “A gente acha que pode ter também um uso mais eficiente de água. Por exemplo, ela tem uma outorga hoje que é de uma água nobre que podia ser usada para abastecimento humano e vamos discutir com ela. Isso não acontece de uma hora para outra, de simplesmente cortar o abastecimento de uma empresa que é importante para a economia do estado que gera emprego, que gera renda. Precisamos agir com responsabilidade. Há uma possibilidade técnica, não é coisa de curto prazo, porque precisa de obra”, analisou.

Segundo Corrêa, o governo pode estimular a Reduc a comprar a água da Estação de Esgoto de Alegria. “Ela pode utilizar aquela água de reúso no curto prazo. Vencida a situação do Guandu, o próximo passo é discutir o uso de água da Reduc”, indicou.

André Corrêa voltou a dizer que a situação de estiagem do Rio é diferente da de São Paulo e que não está na iminência de um racionamento de água, embora, não se possa descartar que o estado passa por uma situação grave. “Vivemos a maior crise hídrica dos últimos 84 anos, por isso, o governo do estado está sendo pró-ativo, não estamos esperando as coisas acontecerem. Estamos agindo”, disse.

Não vai faltar água no Rio de Janeiro, apesar de a crise ser grave, diz ministra

Apesar do nível baixo dos reservatórios, o Rio de Janeiro não corre risco, no momento, de ficar sem água para abastecimento humano, afirmou hoje (9) a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

A ministra participou de reunião com o governador Luiz Fernando Pezão, o secretário de Estado do Ambiente, André Corrêa, e o presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), Jorge Luiz Ferreira Briard, para tratar de gestão dos recursos hídricos no curto e médio prazos.

De acordo com a ministra, a situação do Rio não é tão grave quanto a de São Paulo e a do Espírito Santo, mas requer consciência de cada cidadão para economizar água. Izabella explicou que o Rio de Janeiro está com uma postura preventiva de ações.

“O Rio está tomando uma série de providências, desde o plano de contingência da Cedae até investimentos em caráter emergencial para reduzir a demanda de água em torno de algumas empresas [na Baía de] Sepetiba e uma parceria com a Agência Nacional de Águas [ANA], governo federal e Ministério do Meio Ambiente em investimentos para a construção de um plano de segurança hídrica para o Rio de Janeiro considerando cenários até 2050”, disse Izabella.

Segundo a ministra, a reunião faz parte da estratégia do governo federal de construir planos de segurança hídrica para as quatro regiões metropolitanas mais densamente povoadas do país, que são as do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Belo Horizonte e de Curitiba. Além disso, Izabella anunciou uma parceria direta do Rio com a ANA, para viabilizar o planejamento no estado, e verbas federais de R$ 360 milhões para ajudar nas obras.

O secretário André Corrêa destacou que o estado passa pela pior seca desde que o levantamento começou a ser feito, há 84 anos, e explicou que as obras de curto e médio prazo para gestão hídrica chegam a R$ 930 milhões, para fazer “uma política estruturante para o resto da vida de gestão da bacia do Rio Paraíba do Sul e de aumento de oferta hídrica”, sendo R$ 360 milhões do governo federal.

De acordo com ele, as manobras de vazão no Rio Paraíba do Sul geraram economia de 450 milhões de litros de água. O secretário reiterou que a prioridade é o abastecimento humano, mas há uma questão emergencial, que é o abastecimento das empresas da região da Baia de Sepetiba, onde deságua o Rio Guandu.

“Estamos trabalhando com duas situações: uma, que já evoluiu, de fazer uma adutora de 14 quilômetros para que essas empresas possam captar água que sai da Cedae [de reuso]. Na nossa avaliação, esse investimento tem que ser privado, já que é para o abastecimento deles. E hoje surgiu essa discussão do enrocamento, um dique de pedra, que será feito na foz do Guandu para diminuir a intrusão salina, ou seja, a entrada de água do mar, que dificulta a operação dessas empresas”.

Também emergencialmente, a Cedae começou a fazer obras na região do Médio Paraíba para adaptar a captação de seis pontos de tomada de água no município de Barra do Piraí, ao custo de R$ 7 milhões.

Na questão de estrutura, estão previstos um plano para fornecer água de reuso da Estação de Tratamento de Esgoto de Alegria para a Refinria Duque de Caxias (Reduc); a ampliação da barragem do Rio Guapiaçu, em Cachoeira de Macacu, para beneficiar São Gonçalo, Itaboraí e Niterói; a adaptação das obra de controle de enchente no norte e nordeste do estado para ter reserva de água no entorno de Itaperuna; obras de reforço no túnel da represa de Santa Cecília, para melhorar o sistema de transposição do Paraíba do Sul; e a transposição do Rio dos Poços para o Rio Guandu, que está licitada.

O secretário alerta que a situação hídrica é grave, mas não é para gerar pânico e diz que não há a necessidade de ninguém fazer reserva de água em casa. Está prevista para esta quinta-feira (12) uma reunião do corpo técnico da ANA com a Cedae, para discutir os projetos.

Agência Brasil

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