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sexta-feira, 13 fevereiro, 2015 - 20h15

São Paulo prepara plano de contingência para pior cenário de crise de água

   
José Cruz/Agência Brasil
Na primeira reunião, Comitê de Crise Hídrica decidiu implementar plano de contingência para enfrentar a seca prolongada no estado
Arquivo/Agência Brasil
Haddad destaca que os dados apresentados na reunião mostram que o pior cenário afasta a possibilidade de rodízio

São Paulo terá um plano de contingência para enfrentar a crise hídrica que atinge sobretudo a região metropolitana da capital.

O anúncio foi feito hoje (13) pelo governador Geraldo Alckmin, após a primeira reunião do Comitê de Crise Hídrica, que reúne prefeituras, secretarias de governo, entidades não governamentais (ONGs), universidades e institutos de Defesa do Consumidor.

O plano era uma reivindicação dos prefeitos das cidades que são abastecidas pelos sistemas Cantareira e Alto Tietê, que têm a pior condição de reserva de água. A próxima reunião do grupo deve ocorrer em duas ou três semanas.

De acordo com o governador, o documento será preparado para o pior cenário de regime de chuva a que se pode chegar neste ano. “Para o caso de precisar de um rodízio [no abastecimento de água], termos tudo mapeado, mas todos os esforços estão sendo feitos para superar a crise e o período seco”, disse Alckmin.

O cálculo do governo aponta como situação mais crítica uma afluência – entrada de água nos reservatórios – abaixo de 8 metros cúbicos por segundo (m3/s). Hoje, a demanda é de aproximadamente 14 3/s. O que faltaria de água – 6 m3/s – será providenciada, segundo o governador, por obras emergenciais que aumentariam a captação em outras reservas, como o Rio Guaió e as represas Guarapiranga e Rio Grande.

O plano vai prever, por exemplo, como deve ser feito o abastecimento de instituições que não podem prescindir do fornecimento de água, como escolas, hospitais e penitenciárias.

Para o prefeito da capital, Fernando Haddad, um prazo adequado para apresentação do plano seria em torno de um mês. “O que nos foi apresentado hoje mostra que o pior cenário afasta a possibilidade de rodízio. Prepararemos tecnicamente um plano de contingência esperando não usá-lo.”

Os prefeitos, além de pedir a formação do comitê e a elaboração de um plano de contingência, querem a adoção de medidas de comunicação para manter a população informada. Alckmin não descartou a possibilidade de rodízio. “Isso é uma questão que avaliamos permanentemente, mas [no] fim de fevereiro, meio de março, vamos verificando. Todas as medidas já estavam sendo tomadas e agora, com o comitê técnico, serão integradas e ampliadas. Todo trabalho [será feito] para evitar o rodízio."

O secretário de Recursos Hídricos, Benedito Braga, disse que não há um percentual-limite no Cantareira que indique a necessidade de racionamento. “Não existe ainda esse gatilho. Vamos estudar com esse plano de contingência e, se for preciso adotar alguma medida mais restritiva do que da redução de pressão, vamos ver que tipo de medida vai ser adotada.”

Cantareira opera com 6,9% de sua capacidade e nível sobe pela oitava vez

O Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento de água da região metropolitana de São Paulo, opera hoje (13) com 6,9% de sua capacidade, com alta de 0,2%, na oitava elevação seguida. A quantidade de chuva foi pequena, de apenas 2,1 milímetros, mas no acumulado do mês o nível subiu para 145,9 milímetros, próximo da média histórica de fevereiro que é 199,1 milímetros.

Mais três mananciais apresentaram ligeiros aumentos : o Alto Tietê passou de 13,2% para 13,3%, o Rio Grande subiu de 79,8% para 79,9% e o Rio Claro passou de 31,7% para 31,8%. Guarapiranga com 55,2% e Alto Cotia com 34,3% permaneceram estáveis.

De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), as pancadas de chuvas devem continuar nas áreas dos mananciais, incluindo as nascentes que alimentam o Sistema Cantareira ao Sul de Minas Gerais.

Agência Brasil

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